A nova estratégia de expansão da Polishop
Após a homologação de seu plano de recuperação judicial, a Polishop desenha um novo capítulo para sua trajetória no varejo brasileiro. A companhia, que enfrentou um período crítico de reestruturação financeira, agora volta suas atenções para um modelo de negócio inovador: as franquias digitais. A proposta busca diversificar os canais de venda e aproveitar a capilaridade das grandes plataformas de marketplace, um setor que tem transformado o comportamento de consumo no país.
O presidente da empresa, João Appolinário, aposta que a flexibilidade do modelo digital será um diferencial competitivo. Enquanto o plano de recuperação judicial prevê a expansão das unidades físicas para 314 lojas até o final de 2028, a empresa trabalha com uma meta mais imediata de 40 lojas físicas até 2026. Para o executivo, o desafio atual é consolidar a viabilidade do sistema para que, em seguida, a abertura de novas unidades ganhe tração no mercado nacional.
O modelo de franquia digital como motor de crescimento
Diferente das unidades físicas tradicionais, que exigem investimentos mais robustos, a franquia digital surge com um custo de entrada reduzido. O valor estipulado para o novo modelo é de cerca de R$ 35 mil, acrescido do custo de estoque. A ideia central é permitir que o franqueado comercialize os produtos exclusivos da marca diretamente em plataformas de marketplace, como Shein e Shopee, que possuem grande tráfego de usuários.
Atualmente, quem adquire uma franquia física da Polishop já possui o direito de operar uma loja online. Contudo, o novo formato visa atrair um perfil de empreendedor focado exclusivamente no ambiente virtual. A estratégia se baseia na exclusividade do portfólio da marca, que se diferencia de outros varejistas por oferecer produtos próprios, em vez de atuar apenas como revendedora de itens de terceiros.
Contexto de superação e desafios financeiros
A trajetória recente da Polishop é marcada por uma reestruturação profunda. Em maio de 2024, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, declarando uma dívida de R$ 352 milhões. O cenário foi severamente impactado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, que, segundo dados da companhia, gerou uma queda de 70% no faturamento, forçando o fechamento de mais da metade de suas lojas físicas e uma redução drástica no quadro de funcionários, que passou de 2.500 para cerca de 500 colaboradores.
Apesar das dificuldades, a empresa busca retomar o protagonismo que a consolidou como pioneira no e-commerce brasileiro. Com 70 estabelecimentos próprios em operação e 20 unidades em fase de obras para inauguração em 2026, a Polishop tenta equilibrar a presença física com a agilidade necessária para o ambiente digital. O sucesso dessa nova fase dependerá da aceitação dos franqueados e da capacidade da marca em se adaptar às dinâmicas de preços e logística dos grandes marketplaces.
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