Desde o final de abril de 2026, passageiros que utilizam carregadores portáteis, popularmente conhecidos como power banks, em suas viagens aéreas precisam estar atentos às novas e mais rigorosas diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). As mudanças visam primordialmente aprimorar a segurança dos voos, incorporando as mais recentes recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), um órgão da ONU que define padrões globais para a aviação.
As novas regras impactam diretamente a quantidade de dispositivos permitidos, a forma de armazenamento e as limitações de potência, buscando mitigar riscos associados às baterias de lítio. Esta atualização reflete uma preocupação crescente da indústria da aviação com incidentes que, embora raros, podem comprometer seriamente a segurança a bordo.
Segurança em Primeiro Lugar: O Contexto das Novas Normas
A decisão da ANAC de endurecer as normas não é arbitrária, mas uma resposta proativa a um cenário global de aumento de ocorrências envolvendo baterias de lítio em aeronaves. Esses dispositivos, presentes em carregadores portáteis e em diversos eletrônicos, representam um risco potencial de curtos-circuitos e, consequentemente, de incêndios, especialmente em ambientes confinados como a cabine de um avião.
Um dos episódios que reforçam a necessidade dessas medidas ocorreu em janeiro de 2026, quando a explosão de um carregador portátil a bordo de uma aeronave forçou um pouso de emergência na cidade de Ribeirão Preto. Incidentes como este sublinham a importância de regulamentações claras e rigorosas para proteger a vida dos passageiros e tripulantes, além de garantir a integridade das aeronaves. A agência já havia emitido orientações sobre power banks em outubro de 2025, sinalizando a crescente atenção ao tema.
Entendendo as Novas Restrições para Carregadores Portáteis
As diretrizes atualizadas da ANAC estabelecem limites claros para o transporte e uso de carregadores portáteis. Agora, cada passageiro está autorizado a levar no máximo dois desses dispositivos. Uma regra já existente, mas que foi reforçada, é a obrigatoriedade de transportar os power banks exclusivamente na bagagem de mão, jamais despachados no porão do avião.
Além disso, uma nova restrição importante proíbe expressamente o recarregamento dos carregadores portáteis nas tomadas disponíveis na cabine durante o voo. Embora o uso dos dispositivos para carregar outros aparelhos eletrônicos ainda seja permitido, a ANAC emite uma recomendação para que essa prática seja evitada, visando minimizar qualquer risco potencial.
Potência e Cálculo: Como Verificar seu Power Bank
Um dos pontos cruciais das novas regras é a limitação da potência dos carregadores, medida em watt-hora (Wh), que indica a capacidade máxima de armazenamento de energia da bateria. Para que o passageiro possa embarcar sem contratempos, é fundamental observar os seguintes limites:
- De 100 a 160 Wh: O passageiro deve obrigatoriamente consultar a companhia aérea antes do voo. A decisão final sobre o transporte cabe à empresa, que pode, inclusive, vetar o embarque do aparelho.
- Acima de 160 Wh: Carregadores com essa potência são terminantemente proibidos e devem ser descartados antes da entrada na aeronave.
Para verificar se seu carregador se enquadra nas normas, é preciso consultar a ficha técnica do produto. Caso a energia em Wh não esteja explicitamente indicada, é possível calculá-la multiplicando a capacidade, medida em ampères-hora (Ah), pela tensão, em volts (V). Por exemplo, dispositivos comuns de celular, que geralmente operam com 3,7 volts, devem ter até 27 ampères-hora de capacidade (o equivalente a 27 mil miliampères-hora – mAh, unidade mais comum nas fichas técnicas) para serem transportados sem restrições.
Autonomia das Companhias Aéreas e Implicações para o Passageiro
É importante ressaltar que, mesmo que um carregador portátil esteja dentro das especificações técnicas estabelecidas pela ANAC, as companhias aéreas possuem autonomia para adotar medidas ainda mais restritivas. Isso significa que uma empresa pode, a seu critério, proibir o embarque de um dispositivo se identificar qualquer risco adicional ou se suas políticas internas assim determinarem.
Diante desse cenário, a recomendação para os passageiros é sempre verificar as regras específicas da companhia aérea com a qual irão viajar, além de se certificar de que seus carregadores portáteis atendem às normas gerais da ANAC. A precaução é a melhor aliada para evitar transtornos e garantir uma viagem segura e tranquila. Para mais detalhes, consulte o site oficial da ANAC: www.gov.br/anac.
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