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Suplementação de proteína em crianças: SBP emite alerta sobre riscos à saúde

Arquivo Pessoal
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A popularização da suplementação de proteína, como whey protein e creatina, entre crianças e adolescentes tem acendido um sinal de alerta na comunidade médica. O que antes era restrito a atletas de alto rendimento e adultos em busca de ganho muscular, agora se torna um hábito comum em lares brasileiros, muitas vezes impulsionado por influenciadores digitais e pela busca dos pais por soluções para a inapetência ou o baixo peso dos filhos. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um comunicado veemente contra essa prática, destacando os perigos e a falta de evidências científicas que justifiquem o uso desses produtos na infância.

A preocupação central reside na natureza desses suplementos e nos potenciais danos à saúde em uma fase crucial de desenvolvimento. Enquanto alguns pais relatam benefícios percebidos, a SBP enfatiza que os riscos superam largamente qualquer suposta vantagem, alertando para a sobrecarga de órgãos vitais e a alteração de hábitos alimentares saudáveis.

Casos reais e a influência digital impulsionam o consumo

A tendência de oferecer suplementos proteicos a crianças ganha força com exemplos que se espalham rapidamente. Em Ribeirão Preto (SP), a professora Adriana Vicente Martini, por exemplo, começou a dar whey protein à filha Liz, hoje com sete anos, após a menina ter COVID-19 e perder peso. Segundo Adriana, a suplementação, orientada por um pediatra na época, fez Liz se tornar a criança mais alta e pesada da sala, com 1,27 cm e 31 quilos, medidas típicas de crianças de 10 a 12 anos.

No universo digital, a discussão se intensifica com figuras públicas. A influenciadora fitness Carol Borba gerou controvérsia ao revelar que sua filha de três anos consome whey e creatina, alegando que a criança pede a “mamadeira com whey de chocolate branco”. Da mesma forma, Virginia Fonseca foi alvo de críticas ao compartilhar um vídeo em que suas filhas pequenas comiam um mingau de whey com banana, evidenciando como a rotina de celebridades pode normalizar práticas sem respaldo médico.

Outro caso é o da nutricionista hospitalar Amanda Félix, de Sorocaba (SP), que suplementa o filho de dois anos com whey desde o primeiro ano de vida, devido à falta de apetite causada pelo nascimento dos dentes. Amanda, que utiliza o produto em receitas como panquecas, e não na mamadeira, relata que o filho pesa 17 quilos e mede 94 cm, superando a média de 12 quilos para a idade. Esses relatos, embora pessoais, ilustram a diversidade de motivações e a percepção de resultados que levam muitos pais a adotarem a suplementação.

O alerta contundente da Sociedade Brasileira de Pediatria

Diante da crescente popularidade da suplementação de proteína em crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou, na semana passada, um alerta formal contra o uso dessas substâncias para o público infantil e adolescente. A entidade médica ressalta que esses suplementos, amplamente difundidos no contexto da atividade física adulta, são, em sua maioria, produtos ultraprocessados.

A nota da SBP destaca que esses produtos incorporam ingredientes como aromatizantes, edulcorantes e emulsificantes, que não são ideais para a dieta infantil. Além disso, a SBP aponta que, diferentemente dos alimentos naturais que fornecem proteínas associadas a vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos essenciais, os suplementos proteicos oferecem uma concentração descontextualizada de nutrientes. Essa oferta isolada e excessiva pode acarretar sérios problemas de saúde para o desenvolvimento infantil.

Riscos à saúde e o impacto no desenvolvimento infantil

O consumo indiscriminado de suplementos de proteína por crianças pode gerar uma série de complicações. Um dos principais riscos apontados pela SBP é a sobrecarga renal, visto que os rins de crianças ainda estão em desenvolvimento e podem ter dificuldade em processar o excesso de proteína. Essa sobrecarga pode levar a danos a longo prazo e comprometer a função renal.

Outro ponto crítico é o potencial de viciar o paladar. Suplementos com sabores artificiais e adoçantes podem fazer com que as crianças desenvolvam preferência por alimentos ultraprocessados, afastando-as de uma dieta equilibrada e rica em nutrientes naturais. Isso pode interferir diretamente na formação de hábitos alimentares saudáveis, essenciais para o crescimento e desenvolvimento adequados.

Adicionalmente, a SBP alerta que a suplementação pode interferir na dieta geral da criança, substituindo refeições importantes e desequilibrando a ingestão de outros macronutrientes e micronutrientes vitais. A falta de fibras, vitaminas e minerais presentes em alimentos integrais não é compensada pela proteína isolada, o que pode levar a deficiências nutricionais e impactar negativamente o sistema imunológico e o desenvolvimento cognitivo. A entidade reforça a importância de uma alimentação diversificada e natural como base para a saúde infantil, com a proteína sendo obtida de fontes alimentares completas.

É fundamental que pais e responsáveis busquem orientação de pediatras e nutricionistas antes de introduzir qualquer tipo de suplemento na dieta de crianças e adolescentes. A saúde e o desenvolvimento adequado dos pequenos dependem de escolhas informadas e baseadas em evidências científicas, e não em tendências ou modismos. Para mais informações sobre saúde infantil e nutrição, continue acompanhando as análises e reportagens do M1 Metrópole, seu portal de notícias comprometido com informação relevante e de qualidade.

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