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Estudo na The Lancet aponta obesidade como o maior risco à saúde dos brasileiros

décadas. Agora, a pressão alta está em segundo lugar, seguida do quesito glicemi
Reprodução Agência Brasil

A mudança no perfil epidemiológico brasileiro

A obesidade consolidou-se como o maior fator de risco para a saúde pública no Brasil, superando a hipertensão, que ocupou o topo dessa preocupação por décadas. O dado faz parte da análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, uma pesquisa abrangente que monitora indicadores de saúde em mais de 200 países. O diagnóstico, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, reflete uma transformação profunda nos hábitos da população brasileira.

O cenário atual é resultado de décadas de mudanças no estilo de vida, impulsionadas pela urbanização acelerada. Esse processo alterou drasticamente a rotina dos brasileiros, reduzindo os níveis de atividade física e consolidando dietas hipercalóricas, ricas em sódio e marcadas pelo consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. O fenômeno, que especialistas classificam como um “ambiente obesogênico”, coloca o país diante de um dos seus maiores desafios sanitários do século.

O impacto da obesidade como doença crônica

Para o endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, é fundamental desmistificar a condição. Ele alerta que a obesidade não deve ser reduzida apenas ao excesso de peso, mas compreendida como uma doença crônica, inflamatória e metabólica.

Essa condição atua como um gatilho para uma série de outras complicações graves. A obesidade aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diversos tipos de câncer. O tratamento, portanto, exige uma abordagem multidisciplinar que vai muito além de intervenções isoladas, focando na mudança sustentável de hábitos e no acompanhamento médico especializado.

Evolução dos riscos desde 1990

A comparação histórica com dados de 1990 revela como o perfil de adoecimento mudou no país. Naquela época, a hipertensão liderava o ranking, seguida pelo tabagismo e pela poluição do ar. O Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, principal indicador da obesidade, ocupava apenas a sétima posição. Desde então, o risco atribuído à obesidade acumulou um crescimento de 15,3%.

Por outro lado, o Brasil registrou avanços notáveis em outras áreas. O risco de morte ou perda de qualidade de vida associado à poluição do ar caiu 69,5% no período. Da mesma forma, o tabagismo e complicações relacionadas à prematuridade apresentaram quedas expressivas, próximas de 60%. Contudo, entre 2021 e 2023, o tabagismo voltou a registrar um leve aumento de 0,2%, interrompendo uma trajetória de queda que durava anos.

Novas preocupações na saúde pública

Além das doenças metabólicas, o estudo aponta para o crescimento alarmante de outros fatores de risco. A violência sexual na infância, que em 1990 figurava na 25ª posição, saltou para o 10º lugar em 2023, com um aumento de quase 24% no risco atribuído. Esse dado reforça a necessidade de políticas públicas que integrem a saúde física com a proteção social e o combate a traumas precoces.

A lista atual de fatores que mais impactam a mortalidade e a perda de qualidade de vida no Brasil inclui, além da obesidade, hipertensão, glicemia elevada, tabagismo, prematuridade, abuso de álcool, poluição do ar, disfunções renais, colesterol alto e a violência sexual na infância. O monitoramento constante desses indicadores é essencial para o planejamento de estratégias de prevenção mais eficazes.

Para se manter informado sobre as mudanças nos indicadores de saúde e as principais discussões sobre políticas públicas no país, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer análises aprofundadas e dados atualizados para que você compreenda os desafios que impactam a sociedade brasileira. Acesse aqui a fonte original da pesquisa.

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