O cenário político brasileiro foi palco de novas e intensas discussões nesta semana, com o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), lançando duras críticas sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações de Haddad, proferidas na capital paulista, surgem em um momento de efervescência, após a divulgação de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressiona Vorcaro por pagamentos relacionados ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente.
Em um evento organizado pela iniciativa civil Direitos Já! Fórum pela Democracia, Haddad não poupou palavras ao ironizar a situação. Ele enfatizou que a conexão entre o banqueiro e a gestão Bolsonaro é profunda e multifacetada, sugerindo que não se trata de uma mera coincidência, mas de uma relação intrínseca que permeia diversas esferas do poder.
Haddad aponta a profunda conexão de Daniel Vorcaro com o governo Bolsonaro
Fernando Haddad foi categórico ao descrever os laços que, segundo ele, unem Daniel Vorcaro ao governo Bolsonaro. O pré-candidato do PT enumerou uma série de pontos que, em sua visão, demonstram a proximidade e a influência do banqueiro na administração anterior. Ele destacou que Vorcaro foi autorizado a operar pelo presidente do Banco Central indicado por Jair Bolsonaro, um fato que, para Haddad, sublinha a origem dessa relação.
Além disso, o petista mencionou doações de campanha feitas por Vorcaro tanto para Jair Bolsonaro quanto para Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo. Haddad também apontou para a existência de relações do banqueiro com ministros-chave do governo Bolsonaro, incluindo o ministro da Casa Civil, o ministro da Secom e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais. “Toda a relação do Daniel Vorcaro é com o governo Bolsonaro. Daniel Vorcaro é rebento do governo Bolsonaro”, sentenciou Haddad, reforçando a ideia de uma ligação umbilical.
A polêmica do filme “Dark Horse” e as cobranças de Flávio Bolsonaro
O epicentro da controvérsia que reacendeu o debate sobre Daniel Vorcaro e seus elos políticos é o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”. As informações, reveladas pelo portal Intercept Brasil, detalham mensagens e um áudio de setembro do ano passado, em que Flávio Bolsonaro pressiona o banqueiro por pagamentos. A TV Globo confirmou o conteúdo da reportagem e a existência do áudio com investigadores e fontes próximas ao caso.
Segundo o Intercept, Vorcaro teria efetuado pagamentos que somam R$ 61 milhões para a produção do filme entre fevereiro e maio de 2025. Esse montante, conforme a reportagem, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos, ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente. A intermediação das negociações, que envolveram um aporte total de R$ 62 milhões, foi confirmada pelo publicitário Thiago Miranda à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Miranda revelou que os repasses foram suspensos devido à crise no Banco Master, e que a ligação de Vorcaro com o projeto cinematográfico não deveria ser pública.
Repercussão e o silêncio de Tarcísio de Freitas
A divulgação das mensagens e do áudio gerou imediata repercussão no cenário político. Questionado sobre o assunto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por não comentar. Durante uma coletiva de imprensa sobre uma explosão em São Paulo, Tarcísio declarou que o tema “não é pauta” para ele naquele momento, esquivando-se de qualquer posicionamento sobre as acusações que ligam Daniel Vorcaro e os Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, ao ser abordado por jornalistas na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), limitou-se a afirmar que se tratava de “dinheiro privado”, sem dar maiores detalhes ou explicações sobre as cobranças e o financiamento do filme. Essa postura de silêncio e minimização contrasta com a gravidade das acusações e a ironia de Haddad, que questionou a normalidade de um pedido de “contribuição de R$ 134 milhões para a família”.
O “momento dificílimo” de Vorcaro e a investigação
O áudio de Flávio Bolsonaro revela que o senador tinha conhecimento do “momento dificílimo” que Daniel Vorcaro atravessava. A mensagem foi enviada em 8 de setembro, poucos dias após a compra do Banco Master pelo BRB ter sido rejeitada pelo Banco Central em 3 de setembro. Flávio expressa sua “sem-graça” em cobrar, mas insiste em uma posição sobre os pagamentos pendentes, preocupado com o impacto no filme.
Os contatos entre Flávio e Vorcaro eram frequentes, com o senador chegando a convidar o banqueiro para um jantar com o ator Jim Caviezel, que interpretava Bolsonaro no filme. A relação de proximidade se estendeu até 16 de novembro, véspera da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. O banqueiro foi detido em Guarulhos, no início de investigações sobre uma rede que envolvia fraudes, corrupção de servidores públicos e o uso de uma “milícia privada” para intimidar opositores, adicionando uma camada ainda mais complexa a toda a trama.
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