Uma vida marcada pelo volante e pelo serviço público
A história de João Viol, falecido no dia 7 de abril aos 89 anos, é um retrato de uma época em que o Brasil era construído nas estradas e na diplomacia direta entre prefeituras e capitais. Nascido na zona rural de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, Viol construiu uma carreira singular como motorista oficial, função que exerceu com dedicação e discrição por décadas. Antes de se tornar a figura de confiança de diversos gestores públicos, ele trilhou um caminho diverso, trabalhando em bares, zonas cerealistas e até como vendedor de melancia.
O ingresso no serviço público ocorreu de forma inesperada, fruto de uma indicação. No entanto, foi um acidente com o carro oficial da prefeitura, em 1967, que abriu as portas para que ele assumisse o posto de condutor oficial. A partir daquele momento, o terno tornou-se sua vestimenta cotidiana, simbolizando a responsabilidade de quem transportava não apenas autoridades, mas as demandas de uma região inteira em busca de recursos estaduais e federais.
Testemunha ocular da construção da capital federal
Em um período em que a obtenção de verbas dependia de reuniões presenciais, as longas viagens de carro eram rotina. João Viol tornou-se um especialista em trajetos, conhecendo profundamente as ruas e avenidas de São Paulo e as rotas que levavam à então nascente Brasília. Ele frequentemente relatava aos familiares o fascínio de ver a capital federal ser erguida, observando o surgimento de novos monumentos projetados por Oscar Niemeyer a cada visita.
As viagens eram feitas em veículos que marcaram a história automobilística brasileira, como o Volkswagen Fusca e a Rural Willys. Sem o conforto dos aviões, o motorista enfrentava horas ao volante, mantendo sempre a pontualidade como um de seus pilares profissionais. Esse rigor com o tempo, marcado pelo uso constante do relógio de pulso, tornou-se uma característica que ele manteve mesmo após a aposentadoria.
Conexões políticas e o encontro com a história
A proximidade com o poder permitiu a João Viol conviver com diversas esferas da política nacional. Ele estabeleceu laços com deputados, governadores e senadores, atuando como um observador privilegiado dos bastidores do poder. Um dos episódios mais marcantes de sua carreira foi o transporte de João Baptista Figueiredo, quando este ainda exercia o cargo de ministro-chefe do SNI, durante o governo de Ernesto Geisel.
Essa experiência, embora breve, tornou-se uma das histórias mais memoráveis de sua vida, permitindo-lhe dizer que havia conduzido um futuro presidente da República. A trajetória de Viol reflete a importância dos servidores que, muitas vezes nos bastidores, viabilizaram a articulação política de um país em transformação. Ele deixa um legado de retidão para a esposa, Ana, suas filhas Sônia, Sílvia e Simone, além de seus netos.
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