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Inteligência artificial identifica espermatozoides ocultos e traz esperança a homens inférteis

Columbia University Fertility Center via BBC
Columbia University Fertility Center via BBC

A revolução da tecnologia Star na medicina reprodutiva

Uma nova fronteira na medicina reprodutiva tem transformado o diagnóstico e o tratamento da infertilidade masculina. O sistema Star, sigla em inglês para Rastreamento e Recuperação de Espermatozoides, utiliza inteligência artificial para localizar células reprodutivas em homens diagnosticados com azoospermia — condição caracterizada pela ausência ou contagem extremamente baixa de espermatozoides no líquido ejaculado. Desenvolvida pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, a tecnologia permitiu, no final de 2024, o nascimento do primeiro bebê concebido a partir de espermatozoides identificados por meio desse método inovador.

A azoospermia afeta cerca de 1% da população masculina mundial e representa um desafio significativo para casais que buscam a paternidade biológica. Em muitos casos, como o de pacientes com a síndrome de Klinefelter — uma condição genética que envolve a presença de um cromossomo X extra —, a produção espermática é mínima ou quase inexistente. Até a implementação da tecnologia Star, muitos desses homens recebiam o diagnóstico de infertilidade definitiva, sem opções viáveis para gerar filhos biológicos.

Como a astronomia inspirou a busca por espermatozoides

A inspiração para o sistema surgiu de uma fonte inusitada: a astrofísica. Em 2020, Zev Williams, diretor do Centro de Fertilidade da Universidade de Columbia, traçou um paralelo entre a análise de dados astronômicos e a busca por espermatozoides em amostras biológicas. Assim como telescópios modernos captam vastas quantidades de dados do céu noturno, exigindo algoritmos para identificar novos corpos celestes, a amostra de sêmen de um paciente azoospérmico contém poucos espermatozoides dispersos em meio a detritos celulares.

O processo utiliza chips microfluídicos, que consistem em canais extremamente finos por onde a amostra flui. Enquanto o material percorre esses canais, um sistema de imagem de alta resolução captura 300 imagens por segundo. Um algoritmo de aprendizado de máquina processa esse fluxo em tempo real, identificando e isolando espermatozoides que, em uma busca manual, seriam praticamente impossíveis de localizar. Segundo a equipe de pesquisa, a tecnologia demonstrou ser 40 vezes mais eficiente do que a análise humana tradicional.

Impacto clínico e o futuro da fertilidade

A eficácia da ferramenta tem gerado resultados expressivos na prática clínica. Entre os últimos 175 pacientes atendidos no centro de fertilidade, a equipe conseguiu encontrar espermatozoides em pouco menos de 30% dos casos, oferecendo uma chance real a indivíduos que anteriormente não possuíam alternativas. A demanda pelo procedimento é alta, com uma lista de espera que já conta com centenas de interessados de diversas partes do mundo.

Para casais como o que deu origem ao primeiro nascimento via sistema Star, a tecnologia representa mais do que um avanço técnico; é a viabilização de um projeto de vida. A precisão do sistema permite que o isolamento das células seja feito de forma delicada, preservando a integridade do material genético para procedimentos de fertilização. O sucesso inicial abre portas para que a técnica seja aprimorada e, futuramente, disponibilizada em escala global, redefinindo o prognóstico para milhões de homens que enfrentam a infertilidade.

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