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Visitação em unidades de conservação brasileiras atinge recorde e impulsiona economia

Cristian Dimitrius Produções/ICMBio
Cristian Dimitrius Produções/ICMBio

As unidades de conservação (UCs) brasileiras consolidaram sua posição como importantes polos de turismo e desenvolvimento econômico, registrando um número recorde de 28,6 milhões de visitantes em 2025. Esse fluxo de turistas não apenas celebra a beleza natural e a biodiversidade do país, mas também injeta bilhões na economia nacional, sustentando milhares de empregos e demonstrando o potencial do turismo de natureza como motor de crescimento. Os dados, divulgados em Fortaleza, revelam um cenário promissor para a gestão ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Parques e áreas protegidas: um novo recorde de público

O ano de 2025 marcou um feito inédito para as 175 unidades de conservação monitoradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com 28,6 milhões de visitantes, o número representa um aumento expressivo de 11,5% em relação ao ano anterior. Se considerarmos apenas as UCs que já faziam parte de levantamentos prévios, o crescimento ainda é robusto, de 8,56%, evidenciando uma tendência de alta na procura por esses destinos. Parques nacionais e áreas de proteção ambiental, entre outros tipos de UCs, atraem cada vez mais brasileiros e estrangeiros em busca de experiências em contato com a natureza.

Impacto econômico: bilhões para o PIB e milhares de empregos

A crescente visitação às unidades de conservação não se traduz apenas em números de turistas, mas em um impacto econômico substancial. No período analisado, o movimento gerou R$ 40,7 bilhões em vendas, um novo recorde, e agregou R$ 20,3 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse valor corresponde a 0,16% de tudo o que foi produzido no país, um percentual que supera, inclusive, o impacto das UCs nos Estados Unidos, onde a visitação em 2024 contribuiu com US$ 33,7 bilhões ao PIB americano, equivalente a 0,115% do total.

Além disso, toda a cadeia turística associada às unidades federais de conservação no Brasil sustentou cerca de 332 mil empregos. A maior parte dessas vagas está concentrada em municípios pequenos, que servem como portas de entrada e bases de apoio para os visitantes desses locais. A geração de renda e oportunidades nessas comunidades reforça a importância das UCs como vetores de desenvolvimento regional.

Perfil dos viajantes e o retorno do investimento público

Os dados de visitação são do próprio ICMBio, enquanto as análises econômicas provêm da quarta edição de um estudo do Programa Natureza com as Pessoas. Conduzido por Thiago Beraldo, presidente do Grupo de Turismo de Natureza da ONU, a pesquisa detalha não apenas o impacto financeiro, mas também o perfil de gastos dos turistas. Visitantes que residem a até 100 km das unidades gastam, em média, R$ 237 por visita, principalmente com alimentação. Já os brasileiros de outras regiões demonstram um poder de gasto significativamente maior, chegando a R$ 765 por visita4,1 vezes mais que os locais –, com despesas focadas em hospedagem e transporte. Os visitantes estrangeiros, por sua vez, deixam R$ 615 por visita, direcionando seus gastos para agências e guias turísticos.

Beraldo ressalta a eficiência do investimento público no setor. Para cada R$ 1 do orçamento do ICMBio, que em 2025 foi de R$ 1,3 bilhão, são gerados R$ 2,30 em arrecadação tributária, totalizando R$ 2,99 bilhões no período. "Ou seja, o turismo nas unidades de conservação federais devolve em arrecadação tributária mais que o dobro do investimento público realizado", afirma o pesquisador, destacando o retorno positivo para os cofres públicos.

Além dos ingressos: a visão estratégica do turismo de natureza

A abordagem do estudo vai além da simples contabilidade de ingressos, como explica Thiago Beraldo. "O estudo considera todo o impacto que as unidades de conservação têm na economia, incluindo hotéis, restaurantes, serviços de transporte e até as lojas de souvenirs que fazem parte dessa cadeia econômica", detalha. Essa visão abrangente permite compreender a real dimensão do setor, que integra desde grandes operadoras de turismo até pequenos empreendedores locais. A valorização das UCs como destinos turísticos sustentáveis não só protege a biodiversidade, mas também impulsiona o desenvolvimento regional, criando um ciclo virtuoso entre conservação e economia. A divulgação desses dados no Salão Nacional do Turismo, em Fortaleza, reforça a importância estratégica do setor para o futuro do Brasil.

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