A balança comercial brasileira registrou um desempenho histórico em abril, alcançando o maior superávit para o mês desde o início da série histórica. Impulsionado principalmente pelo aumento nas exportações de soja e petróleo bruto, o saldo positivo superou as expectativas e reforça a relevância do setor externo para a economia nacional. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelando que as exportações superaram as importações em US$ 10,537 bilhões no mês passado.
Este resultado expressivo representa um crescimento de 37,5% em comparação com abril de 2025, quando o superávit foi de US$ 7,664 bilhões. A marca alcançada em abril de 2026 é a terceira maior para qualquer mês na história, ficando atrás apenas de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões), evidenciando uma forte recuperação e resiliência do comércio exterior brasileiro.
Balança comercial impulsionada por commodities
O recorde de superávit em abril é um reflexo direto do dinamismo das exportações, que atingiram US$ 34,148 bilhões, um aumento de 14,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este valor também se configura como o mais alto já registrado para um mês de abril. As importações, por sua vez, somaram US$ 23,611 bilhões, apresentando uma alta de 6,2% na mesma comparação e também estabelecendo um recorde para o período.
A força das commodities brasileiras no mercado internacional foi o motor principal desse crescimento. A demanda global por produtos agrícolas e minerais, aliada a fatores específicos de preço e volume, contribuiu para que o Brasil consolidasse sua posição como um importante player no comércio mundial. O desempenho positivo da balança comercial é crucial para a estabilidade econômica do país, influenciando diretamente as reservas cambiais e a confiança dos investidores.
Crescimento acumulado e o papel das exportações
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a balança comercial brasileira mantém uma trajetória ascendente, registrando um superávit de US$ 24,782 bilhões. Este montante é 43,5% superior ao observado no mesmo período do ano passado, consolidando um cenário favorável para o comércio exterior. Além da recuperação dos preços das commodities, a ausência da importação de uma plataforma de petróleo, que ocorreu em fevereiro de 2025 e não se repetiu em 2026, também contribuiu para o aumento do saldo positivo.
As exportações totais no quadrimestre alcançaram US$ 116,552 bilhões, com um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior. Já as importações somaram US$ 91,770 bilhões, com alta de 2,5%. O superávit acumulado é o segundo maior da série histórica para o período, ficando atrás apenas do primeiro quadrimestre de 2024, que registrou US$ 26,925 bilhões.
Desempenho setorial e produtos em destaque
A análise por setores da economia em abril revela um crescimento generalizado nas exportações. A agropecuária expandiu 16,1%, impulsionada por um aumento de 12,7% no volume e de 3,2% no preço médio. Destaques incluem a soja (+18,8%), algodão (+43,7%) e animais vivos (+148,4%).
A indústria extrativa cresceu 17,9%, com o petróleo bruto liderando o avanço. Embora o volume tenha subido apenas 0,6%, o preço médio disparou 17,2%. Minério de ferro (+19,5%) e minérios de cobre (+55%) também contribuíram significativamente. A indústria de transformação registrou alta de 11,6%, com crescimento de 6,8% no volume e 4,1% no preço médio, destacando-se a carne bovina (+29,4%) e ouro não-monetário (+75,9%).
Em termos de valores absolutos, a soja foi o principal motor do crescimento mensal, com um aumento de US$ 1,105 bilhão nas exportações em relação a abril de 2025, devido à safra e à valorização dos preços. O petróleo bruto seguiu com um acréscimo de US$ 458,98 milhões. No entanto, o volume exportado de petróleo caiu 10,6%, influenciado pela alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação imposta em meados de março, como medida para conter a alta dos combustíveis após o início da guerra no Oriente Médio, que, por outro lado, elevou o preço médio em 23,7%.
Apesar do cenário positivo, as vendas de café apresentaram uma queda em março, com o Brasil exportando US$ 177,44 milhões a menos que em abril de 2025 (-14,2%), reflexo de uma redução de 13,4% no preço médio. No lado das importações, a alta foi puxada principalmente por veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 654,33 milhões em abril na comparação anual, com destaque para automóveis de passageiros (+109,9%).
Projeções futuras e o cenário econômico
Para o ano de 2026, o Mdic projeta um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, o que representaria um aumento de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025. As exportações deverão encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões (+4,6%), e as importações em US$ 280,2 bilhões (+4,2%). As projeções oficiais são atualizadas trimestralmente, com novas estimativas mais detalhadas previstas para julho. O recorde histórico de superávit anual foi registrado em 2023, atingindo US$ 98,9 bilhões.
É interessante notar que as estimativas do Mdic são um pouco menos otimistas do que as das instituições financeiras. O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, projeta um superávit de US$ 75 bilhões para 2026, uma projeção que foi revisada para cima após o início da guerra no Oriente Médio, indicando a sensibilidade do comércio global a eventos geopolíticos. A robustez da balança comercial brasileira, portanto, é um ponto de apoio para a economia em meio a um cenário internacional de incertezas.
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