Há exatamente um ano, em 6 de maio de 2025, o passageiro Lourivaldo Ferreira Nepomuceno perdia a vida em um trágico acidente na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo. Prensado entre o vão e a porta da plataforma enquanto tentava embarcar, sua morte desencadeou uma série de questionamentos sobre a segurança do sistema metroviário paulista. Passados doze meses, a investigação interna do Metrô de SP foi concluída, mas sem detalhar as falhas que contribuíram para a fatalidade, e a prometida instalação de portas de segurança nas estações mais antigas da rede permanece em atraso.
O caso de Lourivaldo expôs uma realidade preocupante: a persistência de problemas de segurança em um dos principais modais de transporte da capital. A falta de transparência nos resultados da sindicância e a lentidão na implementação de soluções definitivas mantêm acesa a discussão sobre a responsabilidade das concessionárias e do próprio governo estadual na garantia da integridade dos usuários.
A tragédia na Estação Campo Limpo e a investigação inconclusiva
O acidente que vitimou Lourivaldo Ferreira Nepomuceno ocorreu por volta das 8h, em um horário de pico, quando as plataformas da Estação Campo Limpo, operada pela concessionária ViaMobilidade, estavam lotadas. Testemunhas relataram o desespero e o pânico entre os passageiros, com gritos e choro, diante da cena chocante. Lourivaldo ficou preso no vão entre o trem e a plataforma, um espaço que deveria ser minimizado ou protegido por tecnologias de segurança.
A investigação interna do Metrô de SP, órgão responsável pela fiscalização, foi concluída com uma nota sucinta: “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”. Essa declaração genérica, sem pormenores sobre as falhas identificadas ou as ações corretivas específicas, gerou insatisfação e a sensação de que as causas reais da tragédia não foram devidamente esclarecidas. Paralelamente, o inquérito policial sobre o caso foi arquivado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), sem indicação de responsabilização criminal, fechando a porta para a punição de eventuais culpados.
Histórico de falhas e alertas ignorados na Linha 5-Lilás
A morte de Lourivaldo não foi um evento isolado. Documentos do próprio governo estadual e da ViaMobilidade revelam que falhas no sistema de portas de plataforma da Linha 5-Lilás eram conhecidas havia pelo menos três anos antes do acidente fatal. Em novembro de 2021, um passageiro já havia ficado preso no vão da Estação Chácara Klabin. Naquela ocasião, a ViaMobilidade admitiu que o sistema de portas “não atendia integralmente aos requisitos de segurança”.
Apesar do alerta, poucas ações concretas foram tomadas. Três meses depois, em fevereiro de 2022, o Metrô chegou a procurar a fabricante das portas, mas nenhuma solução efetiva foi implementada. Incidentes semelhantes voltaram a ocorrer em novembro de 2022 e em outras duas ocasiões em 2023, evidenciando a recorrência do problema. Em dezembro de 2024, a concessionária propôs a instalação de barras de segurança em todas as estações em até cinco meses, mas o Metrô optou por aguardar um sistema de proteção definitivo da fabricante, que, lamentavelmente, não chegou a tempo de evitar a morte de Lourivaldo.
Após a tragédia, a ViaMobilidade instalou barreiras físicas de proteção nos vãos entre o trem e a plataforma da Linha 5-Lilás. Contudo, a promessa de instalar sensores de presença, uma tecnologia crucial que poderia detectar a presença de uma pessoa no vão e impedir a partida do trem, não foi cumprida. A previsão inicial era que esses sensores estivessem operacionais até fevereiro de 2026, mas até o momento, apenas as barreiras foram implementadas, deixando uma lacuna tecnológica importante na segurança dos passageiros.
O atraso crônico na instalação das portas de plataforma
Além das falhas pontuais na Linha 5-Lilás, a instalação de portas de plataforma, consideradas essenciais para prevenir acidentes como o de Lourivaldo, enfrenta um atraso crônico nas linhas mais antigas da rede do Metrô de SP. Na Linha 1-Azul, por exemplo, apenas duas das 23 estações possuem o equipamento, conforme documentos do próprio Metrô. A Estação Sé, uma das mais movimentadas, permanece sem portas na plataforma da Linha 1-Azul. Na Linha 3-Vermelha, as portas foram instaladas, mas ainda não estão em funcionamento, aguardando a integração final ao sistema.
O Metrô havia contratado, em 2019, um consórcio para instalar 88 portas de plataforma até 2024. No entanto, esse prazo já foi adiado duas vezes, e atualmente não há uma data definida para a conclusão total do serviço. A companhia informou que as portas das estações Sé e República devem ser entregues neste semestre, enquanto Anhangabaú e Brás serão as próximas a receber o equipamento, mas sem um cronograma específico. A morosidade na implementação dessas medidas de segurança levanta sérias preocupações sobre a prioridade dada à proteção dos milhões de usuários que dependem diariamente do transporte metroviário.
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