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Nível do sistema Cantareira recua e acende alerta para crise hídrica em São Paulo

Nível do sistema Cantareira recua e acende alerta para crise hídrica em São Paulo

O cenário de escassez nos reservatórios paulistas

O sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento de milhões de pessoas na Grande São Paulo, enfrenta um período de preocupação crescente. Após encerrar o último verão com o nível mais baixo registrado na última década — patamar não visto desde a severa crise hídrica de 2014-2015 —, o manancial segue apresentando uma trajetória de queda constante. A situação não é isolada e reflete o comportamento do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que engloba outros seis sistemas e também amarga reduções em seu volume total.

Os dados da Sabesp confirmam a tendência negativa. Após uma leve recuperação no final de março, impulsionada pelas últimas chuvas do verão, os reservatórios voltaram a registrar perdas consistentes a partir de 9 de abril. O Cantareira, que operava com 43,8% de sua capacidade naquela data, caiu para 42,5% até o dia 30 de abril. O cenário no SIM é igualmente desafiador, com uma redução de dois pontos percentuais no mesmo intervalo, saindo de 56,5% para 54,5%.

Impacto da estiagem e déficit pluviométrico

A principal causa para esse cenário é o déficit de chuvas observado nos primeiros quatro meses de 2026. Segundo levantamento do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a estação do Mirante de Santana, na zona norte da capital, acumulou apenas 598,9 mm de janeiro a abril. O número fica bem abaixo da média histórica para o período, que é de 865,9 mm. A escassez é confirmada pelos dados da Sabesp, que apontam um volume de 58,3 mm sobre os reservatórios do Cantareira, aquém dos 80 mm esperados para o mês.

Ao analisar o histórico recente, percebe-se que 2026 se destaca negativamente. Nos últimos cinco anos, apenas 2023 registrou precipitação acima da média histórica, com 985,9 mm. Em contrapartida, o ano atual é o único do período em que o volume acumulado não atingiu a marca de 600 mm. Embora frentes frias tenham passado pelo litoral paulista recentemente, o volume de água precipitado foi insuficiente para alterar o quadro crítico dos reservatórios.

Projeções e medidas de segurança hídrica

O horizonte para os próximos meses exige cautela. A previsão meteorológica indica um acumulado de apenas 290 mm de chuva até o início da primavera. Embora esse volume seja superior aos 183,4 mm registrados no mesmo período do ano passado, especialistas alertam que a quantidade ainda é insuficiente para uma recuperação robusta dos mananciais. A dependência de chuvas regulares permanece como o fator determinante para a estabilidade do abastecimento na região.

Desde a crise de 2014, a Sabesp tem investido em estratégias para ampliar a segurança hídrica da metrópole. Entre as ações adotadas estão a integração entre diferentes sistemas produtores, o que permite maior flexibilidade na transferência de água entre regiões, além da modernização das redes de distribuição e o combate intensivo a perdas. A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) também tem acompanhado de perto a gestão dos recursos, buscando garantir a eficiência operacional diante da instabilidade climática.

O M1 Metrópole segue acompanhando o monitoramento dos níveis dos reservatórios e os desdobramentos das políticas públicas de gestão hídrica. Continue conectado ao nosso portal para receber informações atualizadas, análises aprofundadas e o contexto completo sobre os temas que impactam o cotidiano das grandes cidades brasileiras.

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