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Demolição do Caveirão marca fim de seis décadas de abandono no centro de São Paulo

mais de meio século, está sendo desmontada manualmente e deve desaparecer até no
Reprodução G1

O fim de um símbolo de abandono no centro paulistano

Após mais de 60 anos de espera, a paisagem urbana do centro de São Paulo começa a ser transformada com o início da demolição do edifício conhecido popularmente como Caveirão. Localizado na Rua do Carmo, a poucos metros da Praça da Sé, o esqueleto de concreto de 25 andares, que nunca chegou a ser concluído, tornou-se um marco negativo da degradação na região central da capital.

O início dos trabalhos, que devem se estender até novembro, encerra um longo ciclo de incertezas sobre o destino do imóvel. A estrutura, iniciada em 1964, permaneceu como uma carcaça exposta, acumulando problemas de segurança, invasões e condições insalubres que afetavam diretamente a vizinhança e o comércio local.

Técnica de demolição controlada protege patrimônio histórico

Devido à proximidade com imóveis vizinhos, muitos dos quais são tombados pelo patrimônio histórico, a prefeitura optou por um método de demolição manual e controlada. O processo é realizado de cima para baixo, sem a utilização de explosivos, para evitar vibrações que pudessem comprometer as estruturas adjacentes.

O edifício foi envolto por uma rede de proteção, e o entulho é escoado por tubos instalados nas lajes. A operação exige precisão técnica e monitoramento constante, garantindo que o desmonte do esqueleto de concreto ocorra de forma segura até o segundo andar, quando a remoção final será concluída.

Dívidas milionárias e o futuro do terreno

A intervenção municipal, estimada em R$ 6 milhões, é um desdobramento de uma batalha judicial iniciada em 2024. A administração pública pretende cobrar o custo da demolição do proprietário do imóvel, embora o cenário financeiro seja complexo. O dono do prédio acumula dívidas de IPTU que remontam a 1977, totalizando um débito superior a R$ 4,1 milhões, majoritariamente inscrito em dívida ativa.

O destino do terreno após a demolição ainda é objeto de debate. De acordo com a legislação de zoneamento vigente, a área está classificada como ZEIS-3 (Zona Especial de Interesse Social). Essa classificação determina que o terreno seja obrigatoriamente destinado à construção de habitação popular, visando reduzir o déficit habitacional no centro da cidade.

Embora a destinação social esteja prevista em lei, a prefeitura informou, por meio de nota oficial, que ainda avalia se realizará a desapropriação do terreno após a conclusão da demolição. A decisão final deverá nortear os próximos passos para a revitalização daquela quadra específica no coração de São Paulo.

O M1 Metrópole segue acompanhando o desdobramento desta obra e os impactos da requalificação urbana na região central. Continue conectado ao nosso portal para receber atualizações sobre este e outros temas que moldam o cotidiano das grandes cidades brasileiras, sempre com o compromisso de levar informação apurada e relevante até você.

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