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Boulos aponta chantagem do mercado no ajuste fiscal e defende corte de supersalários

Boulos aponta chantagem do mercado no ajuste fiscal e defende corte de supersalários
Rafaela Araújo - 30.out.26/Folhapress

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), criticou duramente o que classificou como uma tentativa de chantagem por parte do mercado financeiro nas discussões sobre o ajuste fiscal do governo federal. Em entrevista concedida em 31 de outubro de 2026, o ministro defendeu que o esforço de economia e reequilíbrio das contas públicas não deve recair sobre as camadas mais vulneráveis da população, mas sim sobre privilégios históricos.

Segundo a avaliação da pasta econômica e de integrantes do governo, o debate sobre as contas públicas ganhou centralidade diante do avanço da dívida pública. Dados oficiais apontam que, no período compreendido entre o final de 2022 e julho de 2026, o endividamento saltou de 71,7% para 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), intensificando a pressão de agentes econômicos por medidas drásticas de contenção de gastos públicos.

Privilégios e desonerações no centro do debate

Para o ministro, a solução para o equacionamento fiscal passa obrigatoriamente pela revisão de benefícios tributários e remunerações elevadas no setor público. A proposta defendida pelo governo envolve o corte de desonerações fiscais concedidas a determinados setores, a taxação ou limitação de supersalários e a reavaliação do ritmo de execução das emendas parlamentares impositivas.

Durante a entrevista à Folha de S.Paulo, Boulos enfatizou que a soberania das urnas e a vontade expressa pela sociedade devem prevalecer sobre pressões financeiras. Para o titular da Secretaria-Geral, contrapor exigências do mercado à legitimidade de políticas públicas eleitas democraticamente representa um esvaziamento do próprio sistema político e da representação popular.

Cenário político e polarização nacional

O debate fiscal ocorre em um momento de consolidação do terceiro ano do terceiro mandato do presidente Lula (PT), marcado por disputas legislativas acirradas em Brasília. Ao abordar o cenário eleitoral e a força da oposição, o ministro minimizou discussões sobre a sucessão presidencial e reforçou que o foco da base governista deve ser a entrega de resultados concretos para garantir a governabilidade e a estabilidade institucional do país.

A oposição liderada pelo bolsonarismo, que obteve votações expressivas no pleito recente, continua a exercer forte contrapeso político no Congresso Nacional. A discussão sobre a governabilidade e a necessidade de articulação constante com a sociedade civil e os movimentos sociais permanece como um dos pilares estratégicos apontados pela ala governista para neutralizar crises e avançar com a pagenda econômica no parlamento.

Continue acompanhando a cobertura completa sobre política, economia e os desdobramentos dos debates em Brasília no M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer uma leitura aprofundada, contextualizada e plural dos principais acontecimentos que movimentam o cenário nacional, mantendo você sempre bem informado sobre as decisões que impactam o futuro do país.

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