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Programa da OMS propõe monitoramento anual de idosos no sistema único de saúde

Programa da OMS propõe monitoramento anual de idosos no sistema único de saúde
Rafaela Araújo/Folhapress

Assim como o acompanhamento pediátrico mede o crescimento de crianças nos postos de saúde, um programa global sugere que a população idosa tenha sua capacidade funcional avaliada anualmente. A proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) busca monitorar a autonomia, a cognição e a saúde geral de pessoas mais velhas no atendimento básico. A estratégia propõe rastrear perdas funcionais antes que elas se tornem irreversíveis, mudando o foco das doenças isoladas para o conceito de capacidade intrínseca.

No Brasil, o método é testado em dezesseis centros de pesquisa, incluindo unidades acadêmicas de referência. Especialistas comparam a iniciativa a uma puericultura invertida, pois o objetivo é verificar se funções essenciais, como caminhar, lembrar e se alimentar, mantêm-se preservadas ao longo do envelhecimento da população.

Metodologia rápida e foco na prevenção

A avaliação inicial do programa é estruturada para ser ágil e durar cerca de cinco minutos nos postos de atendimento. O protocolo utiliza testes simples para examinar domínios específicos como locomoção, cognição, saúde psicológica, estado nutricional, visão e audição. Entre os exemplos práticos estão exercícios rápidos de memória e testes de força muscular que avaliam a capacidade de levantar de uma cadeira sem o auxílio dos braços.

Caso o idoso apresente algum sinal de declínio em qualquer uma das áreas testadas, o sistema prevê uma investigação detalhada para identificar causas que vão desde efeitos colaterais de medicamentos até fatores ambientais e sociais. A intervenção precoce permite criar planos de cuidado multidisciplinares na atenção primária, evitando que problemas leves evoluam para quadros de dependência severa.

Ampliação de diretrizes e apoio aos cuidadores

Atualizações recentes nas diretrizes internacionais ampliaram o escopo da triagem para incluir a identificação de incontinência urinária, a avaliação da falta de apoio social e a verificação da sobrecarga de cuidadores, que frequentemente são mulheres da própria família. O acompanhamento contínuo também reforça a importância da imunização e da orientação direcionada a quem presta cuidados diários.

No Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, localizado na zona oeste de São Paulo, pacientes e familiares participam de rotinas de atendimento que integram exames, orientações nutricionais e suporte psicológico. A experiência demonstra como o acolhimento estruturado ajuda a preservar a autonomia dos pacientes e oferece suporte essencial para reduzir o desgaste físico e mental dos familiares responsáveis pelo cuidado.

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