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Itaú reduz estimativa para o PIB de 2027 a 0,5% e projeta alta inflacionária

Itaú reduz estimativa para o PIB de 2027 a 0,5% e projeta alta inflacionária

O Itaú reduziu drasticamente sua previsão de crescimento da economia brasileira para o ano de 2027 e passou a projetar uma inflação significativamente acima do teto da meta oficial. A revisão de cenário econômico foi divulgada pelo banco nesta sexta-feira (30), evidenciando um ambiente macroeconômico mais desafiador nos próximos anos.

As projeções atualizadas refletem um cenário de atividade econômica mais fraca e de pressões inflacionárias persistentes, impulsionadas por fatores cambiais, tributários e regulatórios que exigiram um reajuste nas expectativas do mercado financeiro nacional.

Revisão acentuada nas expectativas para a economia

Na nova projeção, o Itaú cortou para menos da metade a estimativa de expansão do PIB para 2027, passando de 1,2% para 0,5%. Para o IPCA, a estimativa saltou de 4,6% para 6,1%. Vale lembrar que a meta central perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância cujo teto é de 4,5%.

Para o ano de 2026, os indicadores também sofreram ajustes negativos, embora em menor intensidade. O crescimento esperado do PIB recuou de 1,7% para 1,6%, enquanto a previsão para a inflação subiu de 5,1% para 5,2%, demonstrando um horizonte prolongado de pregos elevados.

Impacto de câmbio, tributos e custos trabalhistas

O encarecimento da projeção do IPCA para 2027 decorre principalmente de alterações tributárias e regulatórias incorporadas ao cenário-base do banco, além da expectativa de um câmbio mais depreciado em média. Entre os fatores considerados estão o retorno de tributos sobre combustíveis e o impacto da reforma tributária sobre os preços.

  • Retomada da cobrança de PIS/Cofins sobre a gasolina
  • Fim da subvenção ao óleo diesel no segundo semestre
  • Reajustes anunciados nas alíquotas do ICMS
  • Efeitos de mudanças na jornada de trabalho sobre a mão de obra

Além disso, o banco destacou que os dados recentes mostraram pressões vindas de alimentos e serviços. Diante disso, a instituição financeira avalia que o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá interromper o ciclo de cortes e manter a Selic em 13,75% ao longo de todo o ano de 2027.

Desaceleração da demanda e reflexos no mercado de trabalho

Nos cálculos econômicos do Itaú, o Produto Interno Bruto deve registrar um recuo no terceiro trimestre em relação ao período anterior. Os analistas classificam o movimento não como um revés pontual, mas como uma desaceleração duradoura da demanda interna.

A restrição decorre do esgotamento de estímulos fiscais anteriores e dos reflexos acumulados de taxas elevadas de juros. Para o mercado de trabalho, o banco manteve a projeção de desemprego em 5,7% para 2026, mas elevou a taxa esperada para 2027 de 6,2% para 6,5%.

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