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Estudo da Unifesp aponta que diabetes em doador não afeta rim transplantado

Estudo da Unifesp aponta que diabetes em doador não afeta rim transplantado
Eduardo Anizelli-18.dez.23/Folhapress

Um estudo recente conduzido pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) traz uma boa notícia para a fila de espera por transplantes no país. A pesquisa demonstra que o fato de um doador falecido ter convivido com diabetes em vida não compromete o sucesso nem reduz o desempenho do rim transplantado no paciente receptor.

O trabalho científico, intitulado Five-Year Outcomes and Clinicopathological Correlations of Kidney Transplants From Deceased Donors With Diabetes, foi publicado na revista Clinical Transplantation e jogou luz sobre critérios frequentemente vistos com cautela na medicina de transplantes.

Metodologia e acompanhamento de pacientes em São Paulo

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os dados de 3.058 adultos com 18 anos ou mais que passaram por cirurgias no Hospital do Rim, localizado na capital paulista. O levantamento acompanhou os procedimentos realizados em um intervalo de quatro anos, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2017.

Do universo total avaliado, 244 pacientes receberam rins vindos de doadores que tinham diagnóstico de diabetes. Esses órgãos apresentavam um KDPI (Kidney Donor Profile Index) superior ao dos doadores que não tinham a condição. O índice funciona como uma pontuação percentual voltada para estimar a qualidade e a longevidade potencial de um órgão oriundo de um doador falecido.

Isolando variáveis para uma análise clínica precisa

Numa avaliação superficial e sem o cruzamento estatístico adequado, os primeiros dados pareciam apontar para um funcionamento renal inferior nos receptores de órgãos de doadores diabéticos. Contudo, a equipe médica constatou que esse grupo inicial de doadores possuía um perfil clínico geral mais complexo e desafiador.

Eles eram, em média, dez anos mais velhos, apresentavam uma incidência duas vezes maior de hipertensão arterial e registravam maior histórico de morte decorrente de AVC (acidente vascular cerebral). Para contornar essa distorção, os especialistas aplicaram o pareamento por escore de propensão.

  • Isolamento rigoroso do fator diabetes na análise.
  • Comparação com doadores de idades e pressões equivalentes.
  • Acompanhamento da função renal por até cinco anos.
  • Equivalência nos resultados ao final do período avaliado.

Impacto prático na fila de espera e aproveitamento de órgãos

Com a metodologia estatística que equiparou as características de saúde dos grupos, os pesquisadores comprovaram que a função renal ao término de cinco anos era plenamente equivalente entre quem recebeu o órgão de doador com ou sem a doença. A única divergência real entre eles era o diagnóstico do diabetes.

Segundo Lúcio Roberto Requião Moura, professor adjunto da disciplina de Nefrologia da EPM/Unifesp e coautor da pesquisa, o estudo traz dois grandes aprendizados para a medicina moderna. O primeiro é a importância de aliar a biópsia renal ao processo de decisão sobre doadores falecidos que pareçam ter contraindicações, evitando o descarte desnecessário de órgãos.

O segundo ponto destacado pelo especialista é a necessidade de avaliar o paciente de forma ampla e sistêmica, em vez de vetar um doador com base em uma única característica isolada. Vale ressaltar que o diabetes não configura um critério definitivo de exclusão para a doação de rins de pacientes falecidos, desde que o doador não tenha desenvolvido insuficiência renal crônica antes da confirmação da morte encefálica.

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