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Estudo revela que 25% dos adultos com diabetes enfrentam perda auditiva

Estudo revela que 25% dos adultos com diabetes enfrentam perda auditiva
Agência Einstein

Um levantamento recente publicado pela Agência Einstein revelou que um em cada quatro adultos diagnosticados com diabetes apresenta perda auditiva moderada a grave. A revisão sistemática avaliou 29 estudos publicados entre 2000 e 2025 e demonstrou que indivíduos que convivem com a doença possuem uma probabilidade mais de duas vezes maior de desenvolver esse grau de comprometimento auditivo em comparação à população sem a condição.

O levantamento detalha que, em 23 dos trabalhos analisados, 24% dos participantes diabéticos manifestavam perda de audição de pelo menos 40 decibéis, patamar no qual a compreensão de conversas cotidianas passa a ser comprometida. Para especialistas, o dado acende um alerta sobre as complicações menos visíveis da enfermidade crônica, que costuma afetar o organismo de forma sistêmica ao longo dos anos.

Impacto silencioso e danos vasculares

O endocrinologista Simão Augusto Lottenberg, vinculado ao Einstein Hospital Israelita, aponta que o declínio da audição provocado pelo diabetes ocorre de maneira silenciosa. Segundo o especialista, os pacientes frequentemente demoram a perceber a perda funcional até que as limitações na comunicação se tornem evidentes no dia a dia.

A principal hipótese científica para essa relação aponta que a taxa de glicose elevada de forma persistente afeta os pequenos vasos sanguíneos e as estruturas nervosas da cóclea. Localizada no ouvido interno, essa região é fundamental para a conversão de ondas sonoras em impulsos elétricos interpretados pelo cérebro, sofrendo o mesmo tipo de microangiopatia observado em outras complicações clássicas da condição, como retinopatia e neuropatia.

Diferenças de impacto entre faixas etárias

Um dos aspectos mais reveladores da pesquisa recai sobre o comportamento do risco entre adultos mais jovens. O estudo identificou que, em pessoas com menos de 60 anos, o diabetes foi associado a um risco três vezes maior de apresentar perda auditiva moderada a grave, enquanto nos pacientes com mais idade essa associação estatística não apareceu com o mesmo destaque.

A ausência de significância estatística na faixa etária mais avançada decorre da prevalência natural da presbiacusia, a perda auditiva relacionada ao envelhecimento fisiológico. Em pacientes jovens, contudo, o desgaste natural é mínimo, o que evidencia o papel do diabetes como um fator de risco determinante para o comprometimento precoce da capacidade auditiva.

Necessidade de novos protocolos médicos

Diante dos achados da revisão sistemática, os autores da pesquisa reforçam a necessidade de integrar exames auditivos rotineiros aos protocolos de acompanhamento médico para pacientes diagnosticados com diabetes, independentemente da idade avançada.

A inclusão precoce de avaliações audiológicas pode prevenir o agravamento dos quadros e melhorar a qualidade de vida dos enfermos. O monitoramento contínuo da glicemia aliado a exames periódicos de audição constitui uma estratégia essencial para mitigar os impactos da doença a longo prazo.

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