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Ministério Público pede ao TSE anulação de candidatura de Márcio Canella no Rio

Ministério Público pede ao TSE anulação de candidatura de Márcio Canella no Rio
Divulgação/Alerj

O Ministério Público Eleitoral apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral nesta sexta-feira um parecer em que defende a anulação do registro da candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo e ex-deputado estadual Márcio Canella, do União Brasil. A movimentação jurídica ocorre em meio a investigações sobre supostas relações do político com milícias e com o Comando Vermelho, movimentando o cenário político do estado do Rio de Janeiro.

Canella alcançou a marca de cento e noventa e sete mil cento e setenta e oito votos, tornando-se o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro no pleito. O político chegou a ser cotado como pré-candidato ao Senado com o endosso público do presidenciável Flávio Bolsonaro, filiado ao PL, além de manter alianças estratégicas com o governador eleito Douglas Ruas e com o ex-governador Cláudio Castro.

Prisão e apreensão de armas e dinheiro

O capital político do parlamentar sofreu um revés expressivo após sua prisão ocorrida em julho. Na ocasião, as autoridades policiais encontraram um fuzil de uso restrito e mais de novecentos e dezenas de milhares de reais em espécie no interior do veículo do político, alterando o rumo de sua trajetória na campanha daquele período.

A detenção integrou a Operação Unha e Carne, executada pela Polícia Federal. A investigação principal foca em uma estrutura criminosa voltada à lavagem de capitais para o crime organizado, utilizando esquemas de fraude em postos de combustíveis. Entre os alvos da mesma investigação esteve Marcus Amim, secretário de Polícia Civil nomeado pelo ex-governador Cláudio Castro.

Entendimento da Procuradoria Eleitoral

No documento enviado à corte superior, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, aponta a existência de elementos probatórios consistentes acerca da ligação de Canella com facções e grupos paramilitares. A argumentação jurídica ressalta que a jurisprudência do tribunal permite barrar candidaturas com base em vínculos com o crime organizado, mesmo sem a necessidade de condenação penal transitada em julgado.

A fundamentação do pedido baseia-se na salvaguarda do artigo dezessete da Constituição Federal, que veda a interferência de estruturas criminosas nas legendas partidárias. O órgão ministerial requer a reversão do entendimento anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que havia validado o registro do candidato.

Provas inéditas e vínculos investigados

Segundo a argumentação do vice-procurador-geral, a instância regional tomou sua deliberação sem dispor do acervo probatório completo do Inquérito número cinco mil e vinte, que tramita no Supremo Tribunal Federal e teve o sigilo suspenso recentemente pela suprema corte brasileira.

O parecer ministerial destaca ainda episódios passados da vida pública do investigado, como a lotação da esposa de um líder de Belford Roxo conhecido como Bonde do Jura em seu gabinete legislativo. Consta também na apuração que, durante sua gestão municipal iniciada em dois mil e vinte e cinco, o ex-prefeito preencheu secretarias com nomes ligados a grupos armados locais, incluindo indivíduos já sentenciados pela justiça (Folha de S.Paulo).

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