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Como virar o jogo para quem ama viajar e transformar o turismo no Brasil

Como virar o jogo para quem ama viajar e transformar o turismo no Brasil
Zeca Camargo

O setor de turismo historicamente ocupa um espaço secundário nas discussões políticas e nos planos de governo durante as disputas presidenciais. Enquanto áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública dominam os debates, a atividade turística costuma ser tratada como um tema menor, apesar de sua expressiva relevância econômica. A reflexão sobre o papel estratégico das viagens ganha novos contornos quando se analisa o potencial inexplorado do país e a urgência de políticas públicas consistentes para o desenvolvimento do setor.

O peso econômico do turismo em comparação internacional

Para compreender a dimensão do problema, basta olhar para a participação da atividade na economia. No Brasil, o turismo responde por cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nos cálculos mais otimistas. Embora pareça expressivo, o índice fica muito distante de nações que priorizaram o setor como eixo central de desenvolvimento. Na Tailândia, por exemplo, o turismo representa 20% do PIB, enquanto em Portugal o índice chega a 16%.

Esses números revelam uma desvantagem competitiva considerável, colocando o país em uma posição de retaguarda que contrasta diretamente com a imensa riqueza natural e cultural disponível. A disparidade evidencia o quanto o Brasil ainda deixa de arrecadar e de gerar empregos por falta de um planejamento estratégico de longo prazo focado na atração de visitantes nacionais e estrangeiros.

Avanços recentes e os gargalos estruturais históricos

Nos últimos quatro anos, o cenário apresentou algum alívio com impulsos importantes vindos tanto do Ministério do Turismo quanto da Embratur. Após os impactos severos da crise sanitária global e de gestões anteriores criticadas pela falta de qualificação técnica, os indicadores recentes trouxeram sinais de recuperação. No entanto, o ritmo de crescimento ainda é considerado lento diante das reais necessidades do mercado.

Os obstáculos para a expansão do setor exigem soluções complexas que vão muito além de medidas paliativas. Entre os principais entraves estão as deficiências na infraestrutura hoteleira, a necessidade de melhorias na prestação de serviços, a ampliação da malha aérea nacional e internacional e, principalmente, a consolidação de uma imagem de segurança para os turistas estrangeiros.

O desafio do planejamento de longo prazo e a força da população

Um dos maiores entraves para o desenvolvimento turístico brasileiro é a falta de continuidade nas políticas públicas. Casos de sucesso internacional, como os de Portugal e Tailândia, apoiam-se em transformações estruturais iniciadas ainda na década de 1990. Na Coreia do Sul, o turismo já alcança 12% do PIB graças a projetos ambiciosos mantidos ao longo de várias administrações governamentais.

As iniciativas voltadas para modernizar aeroportos, estradas e serviços exigem prazos que ultrapassam a duração de um único mandato presidencial, demandando paciência institucional. Enquanto isso, o verdadeiro diferencial competitivo do país reside na própria população, cuja hospitalidade, simpatia e vocação natural para receber bem continuam conquistando os visitantes do mundo inteiro.

O portal da Folha de S.Paulo traz análises completas sobre os rumos da economia e da cultura no país.

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