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Mario frias usou verba de campanha para pagar empresa ligada a ex-servidora da cultura

Mario frias usou verba de campanha para pagar empresa ligada a ex-servidora da cultura
Rafaela Araújo - 5.dez.25/Folhapress

A campanha eleitoral do deputado federal Mario Frias (PL-SP) direcionou recursos financeiros para uma empresa com ligações diretas com uma ex-diretora da Secretaria Especial da Cultura, período em que o parlamentar chefiava o órgão durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Os repasses entram no radar de investigações conduzidas pelas autoridades competentes sobre a movimentação de verbas.

A empresa Estratégia Comunicações Ltda., associada a Jessika Helen dos Santos, figurou entre os prestadores de serviços contratados pelo deputado para atuar no período eleitoral. De acordo com os registros oficiais, o montante destinado para essa finalidade atingiu a marca de R$ 80 mil, voltados para atividades de comunicação e marketing.

Movimentações financeiras sob escrutínio

Além dos valores empregados diretamente na disputa eleitoral, a mesma empresa obteve outras transferências financeiras originadas da conta-corrente pessoal do parlamentar, totalizando R$ 115 mil entre abril de 2025 e abril de 2026. Os registros apontam ainda que a companhia recebeu R$ 775 mil provenientes da cota parlamentar do próprio ex-ator e de outros congressistas do PL.

A Polícia Federal conduz apurações sobre o deputado sob a suspeita de envolvimento em um esquema que envolveria desvio e lavagem de dinheiro. Os investigadores identificaram repasses financeiros intermediados por secretários, parentes, advogados e pessoas próximas, estruturando uma rede de circulação de valores que alcança campanhas e contratos de prestação de serviços.

Operações de busca e investigações em curso

Como desdobramento das diligências, a Estratégia Comunicações Ltda. e o próprio deputado foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal em 10 de setembro. A investigação analisa a hipótese de atuação de uma organização criminosa voltada a delitos como peculato e lavagem de dinheiro.

O inquérito policial aponta a existência de uma estrutura operacional e financeira complexa destinada a movimentar capitais entre entidades empresariais e pessoas físicas ligadas ao núcleo central sob investigação. No cenário político, o congressista articula a possibilidade de retornar ao comando da pasta da Cultura caso ocorra um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro (PL).

Doações e conexões na esfera eleitoral

No âmbito das doações declaradas à Justiça Eleitoral para a campanha de Mario Frias, os registros indicam a presença de apenas dois assessores parlamentares, além das direções partidária nacional e estadual do PL. Constam como doadores Rareska Metsker, que exerceu funções ligadas ao gabinete enquanto trabalhava em outra atividade, e o assessor Diego Garcia Ramos, cujo familiar manteve vínculos de locação de imóveis com o deputado.

A defesa do parlamentar e os demais citados foram procurados para manifestação sobre as apurações em curso. Mario Frias não respondeu aos novos contatos da reportagem, mas já havia negado publicamente a existência de qualquer irregularidade na condução de suas funções públicas ao longo do mandato.

Para continuar acompanhando os desdobramentos desta investigação e outras notícias de relevância nacional, acesse regularmente o portal Folha de S.Paulo e mantenha-se informado com a cobertura jornalística aprofundada do M1 Metrópole.

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