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Ato pró-Flávio Bolsonaro no Mackenzie é marcado por clima de festa e ataques transfóbicos

Ato pró-Flávio Bolsonaro no Mackenzie é marcado por clima de festa e ataques transfóbicos
Adriano Vizoni/Folhapress

Um ato em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República reuniu estudantes na noite desta quarta-feira (14), na rua Maria Antônia, em São Paulo. O evento, que contou com trilha sonora de funk e tom de celebração, foi organizado como uma resposta direta às recentes mobilizações estudantis de esquerda que ganharam força no segundo turno das eleições. O local escolhido possui forte carga histórica, situando-se em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie e à antiga sede da USP, palco de confrontos emblemáticos entre estudantes durante a ditadura militar.

Mobilização estudantil e a disputa pela narrativa nas universidades

A manifestação foi convocada por lideranças da direita universitária, entre elas o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), que obteve a maior votação no estado. Durante o evento, os participantes entoaram palavras de ordem contra o presidente Lula (PT) e defenderam a necessidade de uma guinada conservadora no ambiente acadêmico. O discurso central girou em torno da ideia de que a juventude de direita estaria em processo de retomada das instituições de ensino superior, que, segundo os organizadores, seriam dominadas por pautas progressistas.

A presença de figuras como a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) reforçou a estratégia do grupo de pautar temas identitários sob uma ótica conservadora. Em sua fala, Campopiano afirmou que sua eleição é a prova de que “a mulher não precisa ser feminista”, sendo endossada por Pavanato, que descreveu a colega como alguém que “não aceita a coleira do feminismo”.

Coro transfóbico e tensão política

O momento de maior tensão ocorreu quando o deputado eleito Lucas Pavanato mencionou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em resposta a uma declaração anterior da parlamentar, que afirmou não ter nada em comum com figuras como Pavanato e Nikolas Ferreira, o deputado disse aos manifestantes: “Nós temos sim algo em comum”. Imediatamente, parte dos presentes iniciou um coro transfóbico contra a deputada, utilizando termos ofensivos sobre sua identidade de gênero.

Embora Pavanato tenha pedido calma aos apoiadores e não tenha entoado o coro, o episódio gerou questionamentos sobre possíveis desdobramentos jurídicos. Ao ser indagado pela reportagem se temia uma denúncia por transfobia, o deputado minimizou o ocorrido. “Só o que falei foi que temos algo em comum, e é verdade. Todos os seres humanos têm algo em comum, e nós dois somos deputados, mas eu fui mais votado do que ela”, justificou.

Reação da direita bolsonarista no cenário eleitoral

O ato no Mackenzie integra um esforço mais amplo da direita bolsonarista para recuperar o protagonismo nas ruas, após uma semana em que manifestações pró-Lula dominaram o noticiário em diversas capitais brasileiras. A estratégia busca mobilizar a base jovem e consolidar o apoio a Flávio Bolsonaro antes do pleito.

A expectativa dos organizadores agora se volta para o próximo domingo (18), quando está prevista uma nova manifestação na avenida Paulista, desta vez com a presença confirmada do próprio senador Flávio Bolsonaro. O evento é visto como um termômetro para a reta final da campanha, em um momento em que a polarização política se intensifica em todo o país. Para acompanhar os desdobramentos das eleições e as análises sobre o cenário político nacional, continue conectado ao M1 Metrópole, seu portal de referência em informação ágil e contextualizada.

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