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Exercício físico prolonga sobrevida e reduz recidiva em pacientes com câncer

Exercício físico prolonga sobrevida e reduz recidiva em pacientes com câncer
Jeff Swensen /The New York Times

A prática regular de atividade física tem se consolidado como uma aliada poderosa no combate ao câncer, não apenas melhorando a qualidade de vida, mas também prolongando a sobrevida e diminuindo o risco de recidiva da doença. Pesquisas recentes e ensaios clínicos robustos vêm reforçando essa premissa, transformando a forma como a oncologia aborda o tratamento e a recuperação de pacientes.

Um exemplo notável é o de Lee Colker, de 66 anos, de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Enfrentando fadiga e névoa mental decorrentes de um ensaio clínico para câncer renal metastático, Colker encontrou no exercício uma oportunidade de melhorar sua disposição. Ao ser informado pela equipe do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh sobre os benefícios de um programa de exercícios, ele abraçou a iniciativa, que faz parte de um movimento crescente em todo o país para integrar a atividade física no cuidado oncológico.

O Crescente Reconhecimento do Exercício na Oncologia

Por muito tempo, estudos observacionais já apontavam para a ligação entre exercício e aumento da sobrevida em pacientes com câncer, especialmente aqueles com câncer de mama. No entanto, um ensaio clínico randomizado e controlado, considerado um marco, trouxe evidências irrefutáveis no ano passado. Pacientes com câncer de cólon que participaram de um programa estruturado de exercícios, com acompanhamento profissional por três anos, apresentaram menor probabilidade de recidiva e uma melhor qualidade de vida.

Os resultados foram impressionantes: após oito anos, 90% dos participantes do programa de exercícios estavam vivos, em comparação com 83% do grupo de controle. Essa diferença significativa sublinha o impacto direto da atividade física na longevidade e na prevenção do retorno da doença, oferecendo uma nova perspectiva para o tratamento oncológico.

Benefícios Além da Sobrevida: Economia e Qualidade de Vida

Além dos ganhos em sobrevida, a pesquisa revelou que o programa de exercícios também gerou economia para o sistema de saúde. Com um custo total de US$ 3.000 (cerca de R$ 15 mil) por pessoa, a iniciativa foi descrita como um “sucesso absoluto” por Scott Ramsey, pesquisador de câncer e economista da saúde do Fred Hutch Cancer Center. Essa combinação de benefícios – clínicos e econômicos – é rara no cenário das terapias contra o câncer.

Em contraste, medicamentos inovadores, como o daraxonrasib para câncer de pâncreas, podem custar centenas de milhares de dólares anualmente, com efeitos colaterais severos e um prolongamento da vida de apenas alguns meses, sem aumento da sobrevida geral a longo prazo. Christopher Booth, oncologista e professor da Queen’s University, em Ontário, ressalta que, se houvesse um medicamento com tamanha magnitude de benefício, ele seria imediatamente coberto pelas seguradoras e se tornaria o tratamento padrão.

Desafios na Implementação e Acesso a Programas

Apesar das evidências robustas, a integração do exercício na rotina de tratamento do câncer enfrenta barreiras significativas. Embora as diretrizes atuais recomendem que oncologistas incentivem pacientes com câncer de cólon a realizar pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de intensidade moderada a alta, ainda não existe um mecanismo nos planos de saúde para custear esses programas. Essa lacuna impede a adoção em larga escala, limitando o acesso a muitos pacientes.

Atualmente, a maioria dos programas está restrita a grandes centros oncológicos e depende de doações ou do pagamento direto pelos próprios pacientes. Isso exclui pessoas de baixa renda e aquelas que residem longe desses centros. Jeff Meyerhardt, oncologista gastrointestinal do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, encaminha seus pacientes a centros de terapias alternativas, mas o apoio contínuo de um treinador é um desafio. Iniciativas como as da YMCA, que oferecem programas gratuitos ou de baixo custo para sobreviventes de câncer, são importantes, mas ainda insuficientes para atender à demanda.

A Importância do Acompanhamento Personalizado

Melhorar os desfechos de pacientes com câncer vai além de simplesmente recomendar a prática de exercícios. Muitos indivíduos necessitam de apoio contínuo para progredir gradualmente e manter um regime de atividade física. Kathryn Schmitz, pesquisadora de oncologia do exercício no UPMC Hillman Cancer Center, enfatiza que “o exercício não é apenas uma questão de biologia, também é uma questão de comportamento”.

O programa Moving Through Cancer, do qual Lee Colker participa e Schmitz é diretora fundadora, é um exemplo de abordagem personalizada. Adaptado às necessidades de cada paciente, ele oferece diferentes níveis de suporte. Kimberly Barker, de 68 anos, que sofria de dores e fadiga após o tratamento de câncer de bexiga e útero, recuperou sua motivação e voltou a pedalar com o marido após participar do programa, demonstrando o poder do acompanhamento individualizado.

Iniciativas Pioneiras e o Futuro da Oncologia do Exercício

Diante dos resultados positivos, o UPMC, um sistema de saúde nos Estados Unidos, tomará uma medida pioneira a partir do próximo ano: oferecerá cobertura de plano de saúde para oncologia do exercício a pacientes com câncer de mama. Essa decisão é baseada em ensaios randomizados que comprovaram a redução de custos através da diminuição de hospitalizações, idas a prontos-socorros e consultas não programadas. A iniciativa do UPMC pode abrir caminho para que outros sistemas de saúde e planos de saúde em todo o mundo reconheçam e invistam na oncologia do exercício como uma parte fundamental do tratamento e da recuperação do câncer.

A evidência é clara: o exercício físico é uma intervenção de baixo custo e alto impacto, capaz de transformar a jornada de pacientes com câncer. A expansão do acesso a programas estruturados e o reconhecimento por parte dos sistemas de saúde são passos cruciais para que mais pessoas possam se beneficiar dessa poderosa ferramenta na luta contra a doença. Para continuar acompanhando as últimas novidades sobre saúde, ciência e bem-estar, fique ligado no M1 Metrópole, seu portal de informação relevante e contextualizada.

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