O influenciador digital e empresário Gabriel Spalone teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça nesta sexta-feira (9). A decisão ocorre apenas dois dias após ele ter sido detido por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), sob a acusação de extorquir e ameaçar dois empresários. Atualmente, ele encontra-se custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Osasco, na Grande São Paulo.
Acusações de ameaça e suposto vínculo com facção
A investigação aponta que Spalone teria utilizado o nome da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para intimidar as vítimas, identificadas como Márcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, sócios da empresa Cargobr Transportes Ltda. O conflito teria origem em uma disputa financeira envolvendo uma dívida milionária que o influenciador alegava ter a receber.
Segundo o relato dos empresários, o influenciador passou a realizar ameaças diretas contra eles e contra o advogado do grupo, de prenome Bruno. As intimidações incluíam a promessa de sequestro de familiares caso os valores exigidos não fossem pagos. Os empresários, por outro lado, sustentam que a dívida em questão já havia sido compensada por meio de outros negócios anteriores que resultaram em prejuízos financeiros.
Defesa contesta a legalidade da medida
Em nota, a defesa de Gabriel Spalone, representada pelo advogado Eduardo Maurício, classificou a conversão da prisão temporária em preventiva como uma medida ilegal. O defensor alega que o influenciador sofre perseguição por parte das autoridades policiais e do Ministério Público.
O advogado afirmou que irá solicitar a revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrar um habeas corpus. Segundo a defesa, não existem provas de extorsão ou qualquer vínculo real com o PCC, e a inocência do empresário será demonstrada durante o curso da instrução processual.
Antecedentes e o caso do desvio milionário
Este não é o primeiro embate de Spalone com a Justiça. O influenciador já respondia a um processo criminal por furto qualificado e associação criminosa, relacionado a um esquema suspeito de desviar R$ 146 milhões via PIX. Em fevereiro deste ano, ele havia obtido liberdade provisória após ser extraditado da Argentina, onde foi detido pela Interpol em setembro de 2025.
O esquema investigado pela Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo envolvia empresas de Spalone que operavam serviços financeiros sem autorização do Banco Central. A polícia aponta que, em um único dia, foram realizadas mais de 600 transferências ilegais em um período de cinco horas. Embora o banco tenha conseguido recuperar R$ 100 milhões, o prejuízo total estimado na fraude alcançou a marca de R$ 146 milhões.
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