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Auditoria aponta desvio de R$ 400 milhões na Cedae Saúde e investiga ex-diretor

Auditoria aponta desvio de R$ 400 milhões na Cedae Saúde e investiga ex-diretor
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma auditoria interna conduzida pelo governo do estado do Rio de Janeiro revelou um cenário de gravidade na gestão da Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde). O levantamento identificou indícios de desvios que superam a marca de R$ 400 milhões, envolvendo pagamentos por serviços questionáveis e favorecimento de empresas ligadas à antiga administração da entidade.

O caso, que agora ganha contornos de investigação criminal, expõe uma estrutura de gestão que teria operado com falta de transparência e possíveis conflitos de interesse. O relatório detalhado com as evidências coletadas será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que deverá conduzir o aprofundamento das apurações e definir as medidas judiciais cabíveis contra os envolvidos.

O início da crise e a recuperação de dados

As suspeitas ganharam força após a exoneração de Eric Frederik Gualberto do cargo de presidente da Cedae Saúde, ocorrida em junho de 2026. Ao assumir a nova gestão, a diretoria se deparou com um obstáculo técnico: os arquivos contendo a lista de fornecedores e os registros contábeis referentes ao período entre dezembro de 2023 e abril de 2026 haviam sido apagados dos sistemas internos.

Apesar da tentativa de ocultação das informações, auditores conseguiram recuperar os dados deletados. A análise forense desses arquivos foi determinante para mapear o fluxo financeiro irregular. Ficou constatado que quatro empresas, vinculadas a uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas ligada a Eric Frederik Gualberto, foram beneficiadas com repasses que somaram R$ 95 milhões durante o período em que ele esteve à frente da entidade.

Redução drástica nos custos operacionais

Um dos pontos centrais da investigação diz respeito aos repasses mensais realizados pela Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da Cedae para a manutenção da sua caixa de assistência. A auditoria apontou que, durante a gestão anterior, os valores transferidos estavam sistematicamente acima da necessidade real da operação.

Historicamente, o repasse mensal girava em torno de R$ 20 milhões. Com a mudança na administração e a implementação de novos controles, o custo operacional caiu para cerca de R$ 6 milhões mensais, representando uma redução de 70% nos gastos. Essa discrepância entre os valores praticados anteriormente e a realidade atual reforça a tese de que recursos públicos podem ter sido drenados para finalidades alheias à assistência médica dos beneficiários.

Impacto aos beneficiários e desdobramentos

A Cedae Saúde, fundada em 1988, desempenha um papel fundamental na assistência médica de um público expressivo. Atualmente, a entidade atende cerca de 17 mil pessoas, entre funcionários ativos, aposentados, pensionistas e seus dependentes. O desvio de vultosos recursos coloca em risco a sustentabilidade do plano e a qualidade do atendimento oferecido a esse grupo.

O caso se soma a outras apurações recentes, como as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre fraudes em contratações e desvios de recursos federais. A sociedade fluminense aguarda agora o desenrolar das ações do Ministério Público para entender a extensão das responsabilidades e se haverá o ressarcimento dos cofres públicos.

O M1 Metrópole segue acompanhando o caso e trará atualizações assim que novos detalhes da investigação forem disponibilizados pelas autoridades competentes. Continue conosco para se manter informado sobre os desdobramentos da gestão pública e os fatos que impactam o seu dia a dia com credibilidade e rigor jornalístico.

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