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Slime caseiro: os riscos ocultos por trás da brincadeira que virou febre entre crianças

Slime caseiro: os riscos ocultos por trás da brincadeira que virou febre entre crianças
Gabriel Cabral - 24.jun.18/Folhapress

A popularidade do slime e os perigos da fabricação caseira

O que começou como uma tendência viral nas redes sociais transformou-se em um passatempo onipresente nos lares brasileiros. O slime, aquela massa elástica e gelatinosa, conquistou crianças de todas as idades, mas a busca pela textura perfeita muitas vezes leva pais e filhos a recorrerem a receitas caseiras que utilizam substâncias químicas potencialmente prejudiciais. O uso de ingredientes como bórax (borato de sódio) e ácido bórico, comuns em tutoriais de internet, acendeu um alerta vermelho entre especialistas em saúde e órgãos reguladores.

A preocupação não é infundada. Recentemente, a Anvisa atualizou a lista de substâncias proibidas em cosméticos e produtos de higiene pessoal por meio da RDC 1.030/2026, restringindo o uso de ácido bórico e diversos boratos. Segundo a farmacêutica Karina Soeiro, mestre em Ciências Farmacêuticas, essa mudança reflete um alinhamento com normas internacionais e evidências toxicológicas que apontam riscos ao desenvolvimento e à reprodução humana em casos de exposição prolongada.

Impactos na saúde e a vulnerabilidade infantil

Embora a absorção cutânea do boro seja limitada em pele íntegra, o cenário muda drasticamente quando a criança apresenta dermatites, feridas ou fissuras. A pediatra Quíssila Batista Neiva, coordenadora de Pediatria no Einstein Hospital Israelita em Goiânia, destaca que o contato frequente ou a exposição a altas concentrações pode causar irritações, ardência e reações alérgicas severas. O maior perigo, contudo, reside no comportamento infantil: o hábito de levar as mãos à boca.

“O boro é absorvido pelo trato gastrointestinal em proporção muito maior do que pela pele”, explica Soeiro. A ingestão acidental ou a inalação do pó durante o preparo da mistura pode desencadear sintomas como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e até quadros mais graves, como alterações respiratórias e choque cardiovascular. É fundamental que, diante de qualquer sinal de intoxicação, a criança receba atendimento médico imediato.

O mito das alternativas seguras e o mercado industrial

Muitos pais acreditam ter encontrado uma solução ao buscar receitas de “slime sem bórax”, substituindo o ingrediente por soluções para lentes de contato. Especialistas alertam que essa é uma falsa segurança, já que muitos desses produtos contêm ácido bórico em sua composição. A troca, na prática, apenas altera a fonte do boro, mantendo o risco químico presente na brincadeira.

A indústria de brinquedos também está sob escrutínio. Um estudo internacional demonstrou que grande parte dos produtos industrializados pode exceder os limites de migração de boro estabelecidos para brinquedos. A diferença crucial, segundo especialistas, é que produtos regularizados devem seguir normas rígidas de segurança, como a série NM 300, enquanto a fabricação doméstica resulta em concentrações imprevisíveis e perigosas de substâncias químicas. Para saber mais sobre como proteger a saúde da sua família, continue acompanhando as reportagens do M1 Metrópole, seu portal de referência em informação confiável e atualizada.

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