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Missão elege dois deputados em sua estreia eleitoral, aquém da ampla aposta nacional

Missão elege dois deputados em sua estreia eleitoral, aquém da ampla aposta nacional
Adriano Vizoni - 4.out.26/Folhapress

Em sua primeira participação oficial nas eleições como partido registrado, o Missão, liderado pelo candidato à Presidência Renan Santos, obteve um resultado modesto ao eleger apenas dois deputados. A sigla, que apostava em uma estratégia de expansão nacional ambiciosa, conseguiu reeleger um deputado federal e conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, aquém das expectativas geradas pela vasta quantidade de candidaturas lançadas em todo o país.

O pleito de 2026 marcou um momento crucial para o Missão, que emergiu do Movimento Brasil Livre (MBL), conhecido por sua atuação em protestos e mobilizações políticas. A tentativa de consolidar-se como uma força política relevante em âmbito nacional se traduziu no lançamento de uma expressiva chapa de candidatos, cobrindo diversas regiões do Brasil, mas os resultados finais indicaram um desafio significativo para a jovem legenda.

A Estratégia de Ampla Disputa Nacional do Missão

A ambição do partido Missão nas eleições de 2026 foi evidente pelo número de candidaturas apresentadas. A legenda lançou um total de 502 candidatos em 25 estados e no Distrito Federal, buscando capilaridade em diferentes esferas do poder legislativo e executivo. Deste montante, 316 disputaram vagas para a Câmara dos Deputados, enquanto 172 concorreram a cadeiras em Assembleias Legislativas estaduais ou na Câmara Distrital do Distrito Federal. Além disso, o partido apresentou nove candidatos a governos estaduais e cinco para o Senado Federal, demonstrando a intenção de marcar presença em todos os níveis da política brasileira.

A distribuição geográfica das candidaturas revelou uma concentração maior nas regiões mais populosas do país. O Sudeste liderou com 185 candidaturas, seguido de perto pelo Sul, com 123. O Nordeste registrou 115 postulantes, enquanto o Centro-Oeste teve 46 e o Norte, 33. Essa distribuição estratégica visava maximizar as chances de eleição em colégios eleitorais com maior representatividade e volume de votos, embora o desempenho final não tenha correspondido à escala do esforço.

Os Resultados Concretos: Kim Kataguiri e Rafa Minato

Apesar do vasto número de candidaturas, o Missão viu apenas dois de seus representantes serem eleitos. Em São Paulo, o deputado federal Kim Kataguiri garantiu sua reeleição, consolidando sua posição no cenário político nacional. Com aproximadamente 520 mil votos, Kataguiri foi o quarto candidato mais votado para a Câmara dos Deputados pelo estado, ficando atrás de nomes como Lucas Pavanato (PL), Erika Hilton (PSOL) e Sâmia Bomfim (PSOL).

Kim Kataguiri, figura proeminente do grupo que formou o MBL, havia trocado o União Brasil pelo Missão durante a janela partidária, uma movimentação estratégica para buscar a continuidade de seu mandato. A outra vitória do partido foi a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, que será ocupada por Rafa Minato. Minato, que anteriormente atuou como subprefeito da Vila Mariana, na zona sul da capital paulista, representa uma nova voz para a legenda no legislativo estadual.

A Campanha de Renan Santos: Estratégia Digital e Polarização

A campanha do Missão, especialmente a do seu líder e candidato à Presidência, Renan Santos, foi marcada por uma forte aposta no engajamento digital. Sem acesso significativo ao horário eleitoral gratuito na televisão e no rádio, Renan Santos direcionou seus esforços para as redes sociais, buscando mobilizar eleitores e contornar a falta de visibilidade nos meios tradicionais. Essa estratégia online, contudo, frequentemente se traduziu em um discurso mais radicalizado e em ataques diretos a adversários políticos.

Momentos de destaque da campanha de Renan Santos incluíram episódios controversos, como o ocorrido no debate da Band, em agosto, onde ele utilizou fraldas geriátricas em protesto contra a ausência de outros candidatos, como Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de “medrosos”. Em outra ocasião, antes do debate que seria promovido pela TV Globo e que acabou cancelado, o candidato recorreu à Justiça para assegurar sua participação, que havia sido barrada pela emissora. O Missão chegou a organizar um protesto em frente à sede da rede de televisão, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, 1º de outubro de 2026, evidenciando a tática de confrontação e busca por atenção midiática.

Ao comentar o resultado do primeiro turno em uma transmissão ao vivo, Renan Santos fez uma declaração contundente, afirmando que o Brasil seria governado pelo “mais corrupto da família Bolsonaro”, em uma crítica direta ao cenário político pós-eleição. A performance do Missão, embora limitada em termos de cadeiras conquistadas, levanta questões sobre a eficácia de campanhas focadas na polarização e no engajamento digital sem uma base eleitoral consolidada.

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