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Voto casado: eleitores de Lula em São Paulo também elegeram Tarcísio em 85% das cidades

Voto casado: eleitores de Lula em São Paulo também elegeram Tarcísio em 85% das cidades
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo; Miguel Pessoa/Código19/Estadão Conteúdo

Um fenômeno eleitoral notável marcou as urnas em São Paulo: em 85% das cidades onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado, os eleitores também optaram por Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo do estado. Essa dissociação de votos, conhecida como voto casado, ocorreu em 33 dos 39 municípios paulistas onde Lula obteve a maioria para a Presidência, revelando um comportamento eleitoral complexo e multifacetado.

A situação é particularmente intrigante por envolver candidatos de campos ideológicos opostos. Enquanto Lula representa a esquerda e o Partido dos Trabalhadores, Tarcísio de Freitas é uma figura alinhada à direita e ao bolsonarismo, o que destaca a capacidade do eleitorado paulista de segmentar suas escolhas de acordo com o cargo em disputa.

A Complexidade do Voto Casado em São Paulo

O voto casado, ou voto dividido, é um indicativo de que a lealdade partidária ou ideológica não é o único fator determinante na decisão do eleitor. Em São Paulo, este padrão se manifestou de forma expressiva. Lula, que obteve 44,16% dos votos válidos no estado para a Presidência, avançou para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 47,03%.

No entanto, para o governo estadual, Tarcísio de Freitas foi eleito em primeiro turno com 62,65% dos votos, superando Fernando Haddad (PT), que registrou 36,42%. A discrepância entre os resultados presidenciais e estaduais nas mesmas cidades sublinha a autonomia do eleitor em avaliar candidatos e propostas para diferentes esferas de poder.

O Cenário Numérico da Dissociação entre Votos

Dos 645 municípios paulistas, Lula venceu em apenas 39. Desses, em uma esmagadora maioria (33 cidades), a vitória do presidente petista foi acompanhada pela eleição de Tarcísio para governador. Em contraste, Fernando Haddad conseguiu a vitória para o governo estadual em apenas seis cidades onde Lula também havia sido o mais votado para presidente. Essas cidades foram Coronel Macedo, Diadema, Euclides da Cunha Paulista, Francisco Morato, Itapura e Sandovalina.

A análise dos percentuais reforça essa tendência. Em muitos desses municípios, Lula obteve entre 46% e 49% dos votos válidos para presidente, um desempenho considerado modesto. Já Tarcísio, na disputa estadual, frequentemente superou os 52% e chegou a 56%, evidenciando uma preferência clara e desvinculada da escolha presidencial.

O Voto Dividido na Grande São Paulo e no Interior

O fenômeno do voto casado não se restringiu a uma única região do estado, manifestando-se tanto na Grande São Paulo quanto em cidades do interior. Em São Bernardo do Campo, município com forte ligação histórica com Lula e o PT, o presidente recebeu 46,77% dos votos válidos. Contudo, para o governo, Tarcísio de Freitas obteve 53,28%.

Outros exemplos da Grande São Paulo incluem Mauá, onde Lula registrou 45,84% e Tarcísio 53,63%, e Carapicuíba, com 46,3% para Lula e 54,64% para Tarcísio. No interior, a tendência se repetiu em cidades como Ribeira (Lula 50,96%, Tarcísio 59,58%), Itaoca (Lula 52,07%, Tarcísio 59,72%) e Areias (Lula 53,07%, Tarcísio 54,49%).

Decifrando o Comportamento do Eleitor Paulista

Este padrão de voto sugere que uma parcela significativa do eleitorado paulista avaliou os candidatos para presidente e governador com critérios distintos. Fatores como a performance individual do candidato, a percepção de sua capacidade de gestão para o estado, ou até mesmo a busca por um equilíbrio de forças políticas podem ter influenciado essas escolhas. A popularidade de Tarcísio de Freitas em São Paulo, que conseguiu se descolar da polarização nacional em certa medida, foi crucial para sua vitória em primeiro turno, mesmo em redutos petistas.

A dissociação entre o voto presidencial e o estadual em São Paulo oferece uma rica perspectiva sobre a dinâmica eleitoral brasileira, onde a personalização da política e a avaliação de propostas específicas podem, por vezes, sobrepor-se às tradicionais divisões ideológicas. Compreender esses nuances é fundamental para analisar o cenário político e os desafios futuros dos partidos e candidatos.

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