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Igp-m reverte deflação em setembro e registra alta de 3,34% em um ano

Igp-m reverte deflação em setembro e registra alta de 3,34% em um ano
© EBC/Arquivo

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), um dos principais indicadores da inflação brasileira, voltou a apresentar alta significativa em setembro deste ano. Após um período de deflação em agosto, o indicador registrou um aumento de 1,57%, conforme dados divulgados nesta terça-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Essa reversão marca um ponto de atenção para a economia, especialmente para contratos de aluguel e reajustes de preços em diversos setores.

A alta de setembro interrompe uma sequência de quedas e eleva o patamar acumulado do índice, que é frequentemente chamado de “inflação do aluguel”. A variação mensal reflete uma mudança na dinâmica de preços que impacta tanto produtores quanto consumidores, sinalizando possíveis pressões inflacionárias no curto e médio prazo.

Dinâmica de Preços: Atacado e Varejo Impulsionam o Índice

A mudança de cenário no IGP-M foi fortemente influenciada pela dinâmica dos preços nos setores de atacado e varejo. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado e detém o maior peso na composição do IGP-M (60%), inverteu sua trajetória de forma acentuada. Em agosto, o IPA havia registrado uma deflação de 0,34%, mas em setembro saltou para uma inflação de 2,08%. Esse movimento indica um repasse de custos na cadeia produtiva, que tende a chegar ao consumidor final com algum atraso.

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M e mede a variação de preços de bens e serviços consumidos pelas famílias, também mostrou uma virada. Após uma deflação de 0,41% em agosto, o IPC apresentou uma alta de 0,50% em setembro. Essa elevação nos preços percebidos diretamente pelos consumidores em produtos e serviços do dia a dia reforça a pressão inflacionária. A moderação veio do Instituto Nacional de Custo da Construção (INCC), o terceiro subíndice do IGP-M (10% do total), que teve uma inflação de 0,25% em setembro, um valor mais brando comparado aos 0,41% de agosto, aliviando um pouco a pressão sobre o setor da construção civil.

IGP-M: Impactos Acumulados e sua Relevância

Com a alta de setembro, o IGP-M acumula uma inflação de 3,45% no ano e de 3,34% nos últimos 12 meses. Para contextualizar, em setembro de 2025, o índice havia registrado taxas de 0,42% no mês e de 2,82% em 12 meses, o que demonstra uma aceleração na comparação anual. Essa variação é crucial para milhões de brasileiros, pois o IGP-M é amplamente utilizado como indexador em diversos contratos, principalmente os de aluguel. Um aumento no índice significa reajustes mais altos para locatários, impactando diretamente o orçamento familiar e o custo de vida.

Além dos aluguéis, o IGP-M serve como balizador para outros contratos e tarifas, refletindo a saúde econômica do país e a pressão sobre os custos de produção e consumo. A elevação do IPA, por exemplo, sugere que as indústrias e produtores estão enfrentando custos mais altos, seja com matérias-primas, energia, transporte ou outros insumos, e tendem a repassar esses aumentos para os preços dos produtos que chegam às prateleiras e aos serviços oferecidos.

Cenário Econômico e Expectativas para a Inflação

A retomada da inflação no IGP-M ocorre em um momento de atenção para os indicadores econômicos. Projeções de mercado, como as divulgadas em relatórios recentes, já apontavam para uma elevação da inflação oficial, com a prévia da inflação oficial de setembro (IPCA-15) também mostrando alta. A combinação desses fatores indica um cenário de desafios para o controle inflacionário e para a manutenção do poder de compra da população, que já sente o impacto da elevação de preços em diversos setores.

A dinâmica de preços, influenciada por fatores internos e externos, como a variação cambial e os preços de commodities no mercado internacional, exige monitoramento constante por parte das autoridades econômicas e dos agentes de mercado. A alta do IGP-M em setembro, puxada principalmente pelos preços no atacado, pode ser um prenúncio de pressões inflacionárias mais amplas nos próximos meses, à medida que esses custos se propagam pela economia. Analistas e formuladores de políticas econômicas estarão atentos aos próximos resultados para avaliar a persistência e a intensidade dessa tendência e seus possíveis desdobramentos.

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