A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo consolidou-se como um marco na história cultural do país ao encerrar, neste domingo (13), a sua edição de maior sucesso. Durante 10 dias de intensa movimentação no Distrito Anhembi, o evento atraiu 760 mil visitantes, superando a marca de 722 mil pessoas registrada em 2024. O resultado reafirma a relevância do encontro como o principal polo literário da América Latina e um termômetro vital para o mercado editorial brasileiro.
Expansão de espaço e novas estratégias de público
Realizada entre 4 e 13 de setembro, a feira ocupou uma área total de 87 mil m², o que representa um crescimento de 28% em relação à edição anterior. A ampliação física não foi apenas numérica; o projeto de ocupação focou em melhorar a circulação dos corredores e oferecer uma experiência mais confortável ao público. Uma das grandes novidades deste ano foi a implementação de uma programação noturna exclusiva para o público adulto, além da expansão da iniciativa de cashback, que incentivou a compra de obras durante o evento.
O caráter democrático da Bienal também se destacou, com mais da metade dos visitantes acessando o pavilhão de forma gratuita. Esse movimento de inclusão, aliado a uma curadoria diversificada, permitiu que a feira reunisse perfis variados de leitores, desde famílias e estudantes até colecionadores e profissionais do setor. A Espanha, na condição de país convidado de honra, trouxe o projeto “Confluências”, que contou com um estande de 500 m² e uma agenda robusta com 50 autores, fortalecendo o intercâmbio cultural entre os dois países.
Impacto econômico e desempenho das editoras
Para além do valor cultural, a Bienal de 2026 provou ser um motor econômico robusto. Segundo dados da organização, os expositores registraram um aumento de 57% na média diária de faturamento em comparação com 2024. O otimismo foi compartilhado por grandes grupos editoriais, que reportaram resultados expressivos. A Rocco, por exemplo, superou em 121% o faturamento da edição anterior em São Paulo, enquanto a Companhia das Letras registrou um crescimento de 67% nas vendas.
O interesse do público por gêneros específicos, como a fantasia, foi um dos pilares desse sucesso comercial. Editoras como a Intrínseca, que obteve um salto de 85% no faturamento, destacaram a alta demanda por títulos de ficção. A Livraria Loyola também celebrou o período, comercializando mais de 60 mil exemplares, com destaque para obras de filosofia, teologia e literatura infantojuvenil. O sucesso de vendas é atribuído, em grande parte, à presença massiva de autores nacionais e à organização de eventos que conectaram escritores diretamente aos seus leitores.
Um ecossistema de incentivo à leitura
A força da Bienal também se manifestou em números sociais significativos. Com mais de 52 mil estudantes beneficiados e uma ampla rede de servidores públicos contemplados por ações de incentivo, o evento cumpriu seu papel de fomentar o hábito da leitura. Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), destacou que a edição histórica é uma celebração coletiva. “Receber 760 mil visitantes mostra o enorme interesse pela leitura quando criamos oportunidades para esse encontro”, afirmou em nota.
O encerramento da 28ª Bienal do Livro de São Paulo deixa um legado de otimismo para o mercado editorial. Com 800 autores presentes e mais de 3,6 milhões de livros ofertados, o evento provou que, mesmo em um cenário digital, a experiência física de folhear páginas e encontrar escritores continua sendo um pilar insubstituível da cultura brasileira. O M1 Metrópole seguirá acompanhando os desdobramentos do setor literário e trazendo as principais atualizações sobre os grandes eventos culturais que movimentam o país.