A balança comercial brasileira manteve o ritmo de crescimento e fechou o mês de agosto com um superávit de US$ 7,4 bilhões. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), representa uma alta de 23,8% na comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, o país consolida o terceiro melhor resultado para o mês na série histórica, ficando atrás apenas dos anos de 2023 e 2021.
O cenário de robustez nas trocas comerciais foi sustentado por um aumento expressivo nas exportações, que totalizaram US$ 33,2 bilhões, uma expansão de 12,2%. Somadas às importações de US$ 25,8 bilhões, a corrente de comércio atingiu a marca de US$ 58,9 bilhões, estabelecendo um novo recorde para meses de agosto na série histórica iniciada em 1989. O fortalecimento das vendas externas reflete a demanda global por commodities brasileiras, com destaque para setores estratégicos da economia nacional.
Força das exportações e o papel das commodities
O avanço das exportações foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que registrou US$ 8,3 bilhões em vendas, um crescimento de 16,4%. Dentro deste segmento, o minério de cobre e o níquel tiveram desempenhos expressivos, com altas de 223,1% e 120,7%, respectivamente. O petróleo bruto também manteve sua relevância, com alta de 18% no volume exportado.
No setor de transformação, combustíveis e carnes de aves foram os destaques, enquanto a agropecuária seguiu como pilar central, com a soja e o café registrando altas de 14% e 24,1%. Contudo, o setor agropecuário enfrentou desafios pontuais, como a queda de 19,7% nas exportações de carne bovina. Esse recuo está diretamente atrelado ao atingimento de cotas de exportação para a China, que impôs uma sobretaxa de 55% para volumes que excedam o limite de 1,106 milhão de toneladas.
Dinâmica das importações e mercados globais
As importações brasileiras também apresentaram crescimento, refletindo a necessidade de insumos para a indústria e o consumo interno. O setor de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, teve um salto de 29,3%, sinalizando possíveis investimentos em modernização produtiva. Bens de consumo e combustíveis também registraram variações positivas de 15% e 7,4%, respectivamente.
Geograficamente, o Brasil ampliou suas vendas para a maioria dos parceiros comerciais. Mesmo em meio a tensões comerciais e à aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano cresceram 12,1%. A Europa também se destacou como um destino aquecido, com um aumento de 22,1% nas compras de produtos brasileiros.
Perspectivas para o encerramento de 2026
No acumulado de janeiro a agosto, o país já soma um superávit de US$ 55,3 bilhões, o que coloca o ano como o segundo melhor da história para o período, perdendo apenas para 2023. O otimismo do governo é evidente nas projeções revisadas em julho: a estimativa de superávit para o fechamento de 2026 foi elevada para US$ 90 bilhões, superando as expectativas do mercado financeiro, que, através do boletim Focus, projeta um saldo de US$ 78 bilhões.
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