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Pesquisa revela que São Paulo e Rio de Janeiro registram a menor percepção de avanço na educação pública em quatro anos

Pesquisa revela que São Paulo e Rio de Janeiro registram a menor percepção de avanço na educação pública em quatro anos

Uma recente pesquisa nacional lançou luz sobre a percepção da população brasileira em relação à qualidade da educação pública, destacando um cenário preocupante nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, essas duas unidades da federação apresentam a pior avaliação popular sobre a melhoria das escolas públicas estaduais ao longo dos últimos quatro anos, um dado que contrasta com a visão mais otimista observada em outras regiões do país.

A sondagem, que ouviu 20 mil brasileiros com 16 anos ou mais entre maio e julho deste ano, revela que a insatisfação no Sudeste é particularmente acentuada. Enquanto a média nacional aponta que 49% dos entrevistados veem uma melhora ou grande melhora na educação de seus estados, e apenas 17% indicam piora, São Paulo e Rio de Janeiro se destacam negativamente. Em ambos os estados, 25% dos participantes afirmam que a qualidade das instituições públicas de ensino “piorou” ou “piorou muito” no período analisado.

A insatisfação no Sudeste e o contraste nacional

Os números detalhados da pesquisa “O que a população pensa sobre a educação 2026”, realizada pelo Instituto Ideia, a pedido de importantes organizações como Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação, sublinham a disparidade regional. No Rio de Janeiro, apenas 38% dos entrevistados percebem uma melhora na educação, enquanto em São Paulo esse percentual é de 33%. Esses são os índices mais baixos entre todos os estados brasileiros, evidenciando uma percepção de estagnação ou retrocesso.

Em contrapartida, a região Nordeste apresentou a percepção mais positiva de evolução, com 56% dos entrevistados indicando melhora ou grande melhora. Estados como Alagoas (66%), Ceará e Sergipe (65% cada um) lideram esse ranking de otimismo. O Sudeste, com apenas 43% de percepção de melhora, figura como a região com o menor índice, refletindo um desafio significativo para as políticas educacionais locais.

Percepção pública e desempenho educacional

Para Pedro Rodrigues, coordenador de políticas educacionais do Todos Pela Educação, a pesquisa demonstra que a população é capaz de identificar as nuances na qualidade do ensino público. “São Paulo e Rio de Janeiro ajudam a ilustrar essa relação. Os dois estados não estão hoje entre os que apresentam os melhores resultados educacionais do país e também recebem avaliações mais críticas da população”, explica Rodrigues, traçando um paralelo entre a percepção e o desempenho real.

Quando questionados sobre a qualidade geral das escolas públicas de seus estados, sem a evolução temporal, os resultados reforçam essa tendência. No Rio de Janeiro, apenas 31% apontam a qualidade como “ótima” ou “boa”, enquanto 28% a classificam como “ruim” ou “péssima”, os piores índices numéricos entre todos os estados. Em São Paulo, 38% avaliam como “ótima” ou “boa” e 26% como “ruim” ou “péssima”, também entre os percentuais menos favoráveis nacionalmente.

Em contraste, Santa Catarina (60% de ótimo e bom), Ceará (59%) e Paraná (57%) recebem as melhores avaliações de suas escolas públicas. O período de quatro anos abrange gestões como a de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e, na maior parte do tempo, de Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro, que deixou o governo em março.

Prioridades para o futuro da educação

Diante desse cenário de avaliação desigual e preocupação com a aprendizagem, a pesquisa também identificou as prioridades da população para os próximos anos na educação. A medida mais citada, por 53% dos entrevistados, é a melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores, reconhecendo o papel fundamental desses profissionais.

Em seguida, com 48% das menções, aparece a ampliação dos cursos técnicos para jovens do ensino médio. Essa demanda reflete a busca por uma formação mais alinhada às necessidades do mercado de trabalho e que ofereça perspectivas concretas para o futuro dos estudantes.

A pesquisa “O que a população pensa sobre a educação 2026” oferece um panorama valioso sobre o sentimento dos brasileiros em relação ao ensino público. Os dados de São Paulo e Rio de Janeiro, em particular, servem como um alerta para a necessidade de políticas educacionais mais eficazes e que ressoem com as expectativas da sociedade. Compreender essas percepções é crucial para direcionar esforços e investimentos, garantindo que a educação seja, de fato, um pilar de desenvolvimento e oportunidade para todos.

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