O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou-se nesta quarta-feira (2) em favor de uma apuração rigorosa sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). As declarações ocorreram durante uma agenda oficial em obras do Metrô, em um momento em que novas revelações sobre o financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganham o noticiário nacional.
Transparência e o futuro das instituições
Ao ser questionado sobre os desdobramentos das investigações que envolvem aliados e membros da Corte, o governador paulista adotou um tom de defesa da transparência total. Segundo Tarcísio, a retomada da confiança da sociedade nas instituições brasileiras depende diretamente de investigações profundas, sem que haja espaço para omissões. “Tudo que está oculto tem que ficar às claras. Nada fica escondido por muito tempo”, afirmou o gestor.
Para o governador, a crise de credibilidade que atinge o Judiciário é um ponto de preocupação para o Estado Democrático de Direito. Ele argumentou que a suspeição sobre a corte máxima do país gera uma “fissura” na sociedade, que precisa ser estancada por meio de esclarecimentos públicos. O posicionamento de Tarcísio reforça a pressão política sobre os inquéritos em curso, destacando que nem o silêncio, nem o corporativismo, seriam caminhos viáveis para a estabilidade institucional.
O caso Dark Horse e os repasses financeiros
O foco das atenções recai sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Reportagem publicada pela revista piauí, e confirmada pelo g1, revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro realizou um novo repasse de US$ 1,6 milhão para o projeto em setembro de 2025. O montante foi transferido apenas oito dias após o senador Flávio Bolsonaro cobrar parcelas que, segundo registros, estavam em atraso.
Este novo valor eleva o montante total enviado por Vorcaro para a produção do filme a cerca de US$ 12,3 milhões, o que, na cotação da época, superava a marca de R$ 65 milhões. A Polícia Federal (PF) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) monitoram a movimentação, que teria ocorrido por meio de uma complexa rede de empresas e fundos no exterior, incluindo a Entre Investimentos e Participações e o fundo Havengate.
Investigações em curso no STF e em São Paulo
O financiamento da obra cinematográfica é alvo de dois inquéritos distintos no STF. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, busca identificar a origem e o destino final dos recursos, com suspeitas de que parte do dinheiro não tenha sido aplicada na produção do filme. O segundo, conduzido pelo ministro Flávio Dino, investiga se verbas provenientes de emendas parlamentares foram utilizadas pela produtora Go Up para os mesmos fins.
Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo apura um contrato de R$ 150 milhões firmado entre a mesma produtora e a prefeitura paulistana para a instalação de serviços de wi-fi em áreas periféricas. A suspeita é de que o contrato não tenha sido executado integralmente, levantando indícios de desvio de verbas públicas. Enquanto o caso avança, o M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos políticos e jurídicos que impactam a administração pública e a confiança nas instituições brasileiras.