Cenário eleitoral e a disputa pela presidência
O cenário da disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos com a divulgação da nova pesquisa Quaest, publicada nesta quarta-feira (2). O levantamento aponta o presidente Lula (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, mantendo a liderança, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%. Os números refletem um quadro de estabilidade em comparação ao levantamento realizado pelo mesmo instituto em 14 de agosto, quando o petista registrava 38% e o parlamentar 31%.
Esta é a primeira sondagem nacional realizada pelo instituto após o início oficial da campanha eleitoral. A margem de manobra dos candidatos segue sob observação, especialmente com a entrada de novos nomes na disputa e a movimentação de figuras que buscam consolidar espaço no eleitorado conservador e moderado.
A ascensão de Augusto Cury e a dinâmica da campanha
Um dos destaques do levantamento é o desempenho do escritor Augusto Cury (Avante), que atingiu 10% das intenções de voto. O candidato apresentou um crescimento de 8 pontos percentuais desde a pesquisa de agosto, consolidando uma trajetória de ascensão que tem chamado a atenção de analistas políticos. O fenômeno de crescimento de Cury também foi captado por outros institutos, como o BTG/Nexus, onde o candidato chegou a registrar 11%.
O avanço de Cury nas pesquisas coincide com uma estratégia agressiva de redes sociais. Segundo dados do Instituto Democracia em Xeque, o candidato conquistou cerca de 2,5 milhões de novos seguidores no Instagram entre 16 e 29 de agosto. A campanha de Cury, coordenada pelo marqueteiro Sergio Lima, tem sido alvo de questionamentos de adversários sobre o uso de impulsionamento e parcerias com influenciadores, alegações que foram negadas pela equipe do candidato em entrevistas recentes.
Novidades e impasses jurídicos no pleito
A pesquisa também incluiu o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que marcou 1% das intenções de voto. A presença de Marçal na disputa é marcada por um intenso imbróglio jurídico. Embora esteja inelegível até 2032, o empresário obteve uma medida liminar na Justiça Eleitoral de São Paulo que permitiu sua filiação e o registro de candidatura. Contudo, o caso segue para análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde a tendência, segundo magistrados da corte, é de rejeição do pedido.
O tribunal já impôs restrições severas à candidatura de Marçal, proibindo o acesso a recursos do fundo eleitoral, a participação em debates e a exibição de propaganda no horário eleitoral gratuito. Enquanto isso, outros nomes como Renan Santos (Missão) aparecem com 3%, seguidos por Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), cada um com 1%. O índice de eleitores indecisos permanece em 11%, enquanto 7% declaram voto em branco, nulo ou abstenção.
Metodologia e acompanhamento
O levantamento da Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, de forma presencial, entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro. A pesquisa é um termômetro fundamental para entender como o eleitorado está reagindo às propostas e aos embates diretos entre os principais postulantes ao cargo máximo do Executivo federal.
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