O Hospital Sírio-Libanês, uma das instituições de saúde mais renomadas do país, enfrenta um processo judicial movido por um paciente que alega ter caído de uma mesa cirúrgica enquanto estava sob efeito de sedação. Fabiano Assanuma, de 49 anos, busca reparação por danos após o incidente ocorrido em 28 de outubro de 2025, que, segundo ele, resultou em complicações graves e uma série de dores intensas.
A ação judicial, que também tem como alvos o cirurgião Yussef Ali Abdouni e o anestesista Oswaldo Miranda Júnior, levanta sérias questões sobre a segurança do paciente em ambientes hospitalares e a responsabilidade dos profissionais de saúde. O caso, ainda sem julgamento, coloca em evidência a vulnerabilidade dos indivíduos durante procedimentos médicos e a importância de protocolos rigorosos.
O Incidente no Centro Cirúrgico e as Acusações
Fabiano Assanuma relata que acordou no chão do centro cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, logo após uma cirurgia na mão esquerda. Ele havia sido submetido a uma operação para tratar a síndrome do túnel do carpo, uma neuropatia que causa dor, dormência e formigamento nos dedos. O paciente afirma que, ao ser retirado da máscara de ventilação, foi deixado na mesa cirúrgica sem qualquer tipo de contenção física, o que teria permitido a queda.
A situação é descrita por Assanuma como “muito grave”, especialmente porque a queda ocorreu justamente sobre a mão recém-operada. “Acordei grogue, tinha muito sangue no chão e na minha mão”, detalhou o paciente. Este relato aponta para uma possível falha nos procedimentos de segurança pós-cirúrgicos, que deveriam garantir a integridade do paciente ainda sob os efeitos da sedação.
A Busca por Ajuda e o Diagnóstico Agravado
Após receber alta, Fabiano Assanuma conta que a dor na mão operada se tornou intensa e progressiva. Ele tentou contato com o cirurgião, mas não obteve resposta. Diante da piora do quadro, procurou o pronto-socorro do Sírio-Libanês, onde recebeu diversas medicações, incluindo morfina, mas, segundo seu depoimento, sem que a causa da dor fosse devidamente investigada.
A situação se agravou na madrugada de 31 de outubro, quando Assanuma experimentou dores insuportáveis, tremores, crises de choro e uma sensação de queimação descrita como “fogo” na mão. Levado por uma amiga ao Hospital São Camilo, o plantonista diagnosticou o quadro como grave, com suspeita de síndrome compartimental – uma emergência médica caracterizada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento muscular, com risco de perda do membro afetado.
O médico do São Camilo recomendou o retorno urgente ao Sírio-Libanês para que o cirurgião responsável fosse acionado. De volta ao hospital, o cirurgião teria informado a Fabiano sobre a presença de um coágulo no curativo, que exigiria a reabertura do corte cirúrgico para remoção.
As Implicações Legais e a Resposta do Hospital
O processo judicial movido por Fabiano Assanuma busca responsabilizar o Hospital Sírio-Libanês, o cirurgião Yussef Ali Abdouni e o anestesista Oswaldo Miranda Júnior pelas alegadas falhas no atendimento e pelas consequências da queda. O paciente contesta a avaliação inicial do cirurgião, que teria minimizado o ocorrido, afirmando que “foi só um acidentezinho, coisa que acontece”.
Em resposta à reportagem, o Hospital Sírio-Libanês informou que ainda não foi citado pela Justiça e que, quando isso ocorrer, prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos do processo. A equipe de reportagem tentou contato com o cirurgião Yussef Ali Abdouni e o anestesista Oswaldo Miranda Júnior por diversos meios, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Debate sobre Segurança do Paciente e Responsabilidade Médica
O caso de Fabiano Assanuma reacende o debate sobre a segurança do paciente em ambientes hospitalares, especialmente durante e após procedimentos cirúrgicos que envolvem sedação. A confiança depositada nas instituições de saúde e nos profissionais é fundamental, e incidentes como este abalam essa relação, gerando preocupações sobre a vigilância e os protocolos de contenção.
A síndrome do túnel do carpo, embora comum, exige um pós-operatório cuidadoso. A suspeita de síndrome compartimental, uma complicação grave, ressalta a importância de avaliações precisas e rápidas. Este episódio serve como um lembrete crítico da necessidade de atenção contínua à integridade física do paciente, desde o momento da cirurgia até a recuperação completa, garantindo que a segurança seja a prioridade máxima em todas as etapas do tratamento.
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