O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu o debate sobre a concentração de mercado no setor de processamento de carne americano ao denunciar um suposto “monopólio” que, segundo ele, tem prejudicado o país por décadas. As declarações, feitas em 26 de agosto de 2026 durante uma entrevista por telefone ao apresentador Glenn Beck, colocam em xeque a atuação das quatro maiores empresas do segmento, entre as quais se destacam duas companhias de origem brasileira: JBS e MBRF. O cenário se desenrola em meio a uma investigação antitruste conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA e a uma crescente preocupação com a inflação dos preços das proteínas animais para o consumidor final.
A fala de Trump ecoa uma preocupação antiga e ganha força em um momento de efervescência econômica e política nos Estados Unidos. Durante a entrevista, Glenn Beck instou o ex-presidente a considerar o afrouxamento de regulações federais que, segundo ele, impõem exigências “absurdas” aos pequenos produtores de carne. Beck argumentou que o verdadeiro problema reside nas “quatro maiores empresas de processamento”, que estariam “agindo em conluio”.
A Denúncia de Monopólio e o Contexto Político
Em resposta, Trump afirmou ter “ouvido sobre esse problema há 20 anos” e que “só escuta coisas ruins” sobre as companhias. “Isso [o afrouxamento de regulações] seria uma ótima medida para pecuaristas e agricultores; melhor, seria uma ótima medida para o país”, declarou o ex-presidente, antes de sentenciar: “Eu só tenho ouvido coisas ruins sobre essas quatro empresas. É um monopólio”. Embora não tenha citado as empresas nominalmente, o contexto aponta para as gigantes do setor.
A acusação de “monopólio” ou “cartel” implica que essas empresas estariam manipulando preços ou limitando a produção para obter lucros excessivos, em detrimento tanto dos pecuaristas, que recebem menos pela matéria-prima, quanto dos consumidores, que pagam mais pelos produtos finais. Tal prática, se comprovada, viola as leis antitruste americanas, projetadas para garantir um mercado justo e competitivo.
Gigantes da Carne sob Escrutínio: O Monopólio e a Atuação Brasileira
As quatro maiores processadoras do mercado americano são amplamente conhecidas: JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef. Destas, a JBS e a National Beef – esta última controlada pela MBRF – têm suas raízes no Brasil, conferindo um caráter internacional à discussão sobre a concorrência no mercado de carnes dos EUA. A presença dessas companhias brasileiras no topo da cadeia produtiva americana as coloca diretamente no centro do debate sobre a concentração de poder econômico.
A influência dessas empresas não se restringe apenas ao volume de produção, mas também à sua capacidade de ditar tendências e preços em um setor vital para a economia e a alimentação do país. A origem brasileira de duas das quatro maiores processadoras adiciona uma camada de complexidade às relações comerciais e diplomáticas entre os dois países, especialmente em um cenário de acusações de práticas anticompetitivas.
A Investigação Antitruste e a Pressão Inflacionária
As declarações de Trump não surgem isoladas. Em maio, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia anunciado uma investigação antitruste aprofundada sobre as maiores processadoras de carne bovina do país. O objetivo é analisar supostas violações das regras de concorrência na indústria, um indício de que as preocupações com a concentração de mercado são levadas a sério pelas autoridades reguladoras.
Este movimento governamental é impulsionado, em parte, pela disparada dos preços das proteínas de origem animal nos Estados Unidos. Dados do Federal Reserve Economic Data revelam que um quilo de carne moída atingiu US$ 6,759 (equivalente a R$ 35,10 na cotação da época) em janeiro deste ano, representando um aumento de 18% em comparação com o ano anterior. A inflação da carne, em números oficiais, foi de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, conforme o índice de preços ao consumidor divulgado pelo Departamento do Trabalho. A redução do rebanho, somada a possíveis práticas anticompetitivas, contribui para esse cenário de alta de custos que afeta diretamente o poder de compra das famílias americanas.
Respostas do Governo e o Cenário Futuro
Diante da escalada dos preços e das acusações de cartel, o governo Trump buscou medidas para aliviar a pressão sobre os consumidores. Em 21 de agosto de 2026, o então presidente anunciou a permissão para a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem afetar as cotas tarifárias. Esta medida, parte de um acordo de 90 dias, não especificou os países de origem da carne nem quem se comprometeu a oferecer preços mais baixos, gerando questionamentos sobre sua efetividade e impacto a longo prazo.
O conselheiro da Casa Branca, Peter Navarro, foi ainda mais explícito em suas acusações, afirmando que “temos um cartel no processamento de carne bovina. É um cartel de quatro empresas que controla 85% de todo o processamento de carne”. A concentração de mercado, segundo Navarro, é um fator crucial para a elevação dos preços pagos pelos consumidores americanos. A investigação em curso e as declarações de figuras políticas de alto escalão indicam que o setor de carne nos EUA continuará sob os holofotes, com possíveis desdobramentos que podem redefinir a dinâmica de concorrência e o custo dos alimentos para milhões de pessoas.
O debate sobre o monopólio no setor de carnes dos EUA, envolvendo gigantes globais e empresas brasileiras, é um exemplo da complexidade das cadeias produtivas e seu impacto direto na vida dos cidadãos. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes que moldam a economia global e o cotidiano, continue acessando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é oferecer informação de qualidade, atualizada e contextualizada, para que você esteja sempre bem informado sobre os temas que realmente importam.