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Estratégias digitais: Lula foca em trajetória, Flávio Bolsonaro intensifica ataques na campanha

Estratégias digitais: Lula foca em trajetória, Flávio Bolsonaro intensifica ataques na campanha
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A corrida presidencial de 2026 já mostra suas primeiras nuances nas redes sociais, com os principais candidatos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), adotando abordagens marcadamente distintas em suas campanhas digitais. Uma análise detalhada das postagens no Instagram durante a primeira semana de propaganda eleitoral, entre 16 e 24 de agosto, revela como cada um busca engajar o eleitorado e construir sua narrativa.

Enquanto o atual presidente opta por uma comunicação institucional e autorreferencial, o senador Flávio Bolsonaro adota uma postura mais agressiva, com ataques diretos ao governo e ao adversário. Essas estratégias, conforme apontam especialistas, refletem não apenas o posicionamento de cada um nas pesquisas, mas também a dinâmica inerente às campanhas eleitorais modernas.

Lula e a narrativa da trajetória: foco no passado e no emocional

A campanha digital de Lula na primeira semana foi caracterizada por um forte apelo emocional e uma ênfase em sua própria trajetória política e nos feitos de governos anteriores. O conteúdo predominante consistiu em vídeos autorreferenciais, buscando resgatar a memória do eleitorado sobre suas gestões e sua história de vida.

Essa abordagem, segundo Camilo Aggio, professor da UFMG e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, é típica de candidatos que lideram as pesquisas. Ao focar em sua própria imagem e em um discurso institucional, o líder da corrida evita confrontos diretos e busca consolidar sua base de apoio, sem dar margem para ataques que possam desviar o foco de sua mensagem principal.

O presidente, por exemplo, não abordou diretamente pontos sensíveis do adversário, como a ligação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, mantendo uma linha de comunicação mais elevada e propositiva, alinhada à sua posição de favorito.

Flávio Bolsonaro e a tática dos ataques diretos e conteúdo pessoal

Em contraste, Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia de campanha mais combativa e multifacetada. Sua presença no Instagram mesclou ataques diretos ao governo e ao presidente com a publicação de conteúdo leve e pessoal, buscando uma maior aproximação com o usuário comum da plataforma.

A pesquisadora Monalisa Soares, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará, observa que o uso do Instagram como um perfil pessoal é uma tentativa de humanizar a figura do candidato e criar uma conexão mais orgânica com os seguidores. Vídeos com seu cachorro ou um quiz descontraído com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, serviram para suavizar a imagem e referenciar a figura de seu pai, Jair Bolsonaro.

Contudo, a principal característica da campanha de Flávio foi a intensificação da “campanha negativa”, uma tática frequentemente empregada por quem busca reverter um cenário desfavorável nas pesquisas. No primeiro levantamento Datafolha após o registro das candidaturas, Lula liderava com 39% contra 33% de Flávio no primeiro turno, e com 47% a 43% no segundo, dentro da margem de erro.

O cenário das pesquisas e a estratégia de confronto

A decisão de Flávio Bolsonaro de não participar do debate promovido pela Band, no último domingo, foi um exemplo claro de sua estratégia de antagonizar diretamente com Lula, evitando ser alvo dos demais candidatos. Em um longo vídeo publicado no mesmo dia, o senador declarou: “eu quero debater sim com quem tá destruindo o Brasil”, direcionando suas críticas ao governo atual.

Entre os pontos de ataque, Flávio mencionou o fechamento de lojas da rede Casas Bahia e culpou o governo pela alta taxa de juros, buscando associar a gestão petista a problemas econômicos. Ele também citou o “Caso Lulinha“, uma questão que gera desgaste à campanha do presidente.

Em resposta, Lula abordou o “Caso Lulinha” em um recorte de entrevista à Record, afirmando de forma direta, sem se aprofundar: “se você fez algo de errado, você deve pagar, deve ser investigado; se tiver culpa, deve ser condenado; se não tiver, vai ser absolvido”. Essa postura reforça a imagem institucional e de respeito à lei que sua campanha busca projetar.

A primeira semana de campanha nas redes sociais demonstra que a disputa presidencial de 2026 será marcada por estratégias digitais bem definidas e contrastantes. Enquanto um lado busca consolidar sua liderança com a força da trajetória, o outro tenta reverter o cenário com ataques diretos e uma comunicação mais pessoal. O engajamento e a repercussão dessas táticas serão cruciais para os próximos capítulos da corrida eleitoral. Para mais análises aprofundadas sobre a política brasileira e os desdobramentos das eleições, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação relevante, atual e contextualizada.

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