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Movimento convoca brasileiros para um dia de desconexão digital em setembro

Movimento convoca brasileiros para um dia de desconexão digital em setembro
Na edição inaugural nos Estados Unidos foram reunidos 51 mil participantes, resultando em 328 mil horas de desconexão digital Fundada em 1941, em Aberdyfi, no Reino Unido, a Outward Bound é pioneira na aprendizagem experiencial ao ar livre

Em um cenário onde o brasileiro passa, em média, 116 horas por semana conectado à internet, a busca por um equilíbrio entre o mundo virtual e a vida real ganha um novo capítulo. A organização Outward Bound Brasil (OBB) anunciou o lançamento oficial do Dia do Reset, um movimento que convida a população a realizar uma pausa voluntária das redes sociais e dispositivos digitais por 24 horas. A iniciativa, que chega ao país nesta quarta-feira (26), propõe que o dia 26 de setembro seja marcado por uma reconexão com o ambiente físico e as relações interpessoais.

Proposta de equilíbrio e bem-estar

O Dia do Reset não se posiciona como um movimento contrário à tecnologia, mas sim como um chamado à reflexão sobre o uso intencional dos dispositivos. A ideia central é que, ao suspender o consumo constante de redes sociais, o indivíduo possa retomar o protagonismo sobre o seu tempo e sua atenção. A ação é gratuita e permite que cada participante escolha como preencher as horas offline, seja por meio de atividades ao ar livre, convivência familiar, leitura ou momentos de contemplação.

A organização, que possui expertise em educação experiencial, destaca que a tecnologia deve ser uma ferramenta, e não o elemento que dita o ritmo da existência humana. O conceito por trás da campanha é direto: “Um dia. Redes sociais fora do ar. Você dentro da vida”. A meta ambiciosa da OBB é engajar 200 mil brasileiros simultaneamente, totalizando entre 250 mil e 700 mil horas de desconexão digital durante a data estipulada.

Impactos da hiperconexão na saúde mental

Os números que justificam a iniciativa são alarmantes. Segundo dados citados pela organização, o Brasil ocupa uma das primeiras posições no ranking mundial de tempo gasto em redes sociais. Esse comportamento reflete diretamente na saúde pública, com impactos observados especialmente entre os mais jovens. Eduardo Becker, conselheiro da OBB, aponta que cerca de 54% dos jovens brasileiros apresentam quadros de ansiedade ou pânico, enquanto 80% não atingem o nível mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Para os especialistas, o que se desenha é uma espécie de pandemia silenciosa, onde a tela substitui a vivência presencial. Andreas Martin, diretor executivo da instituição, reforça que o objetivo é resgatar a noção de presença. Para ele, construir uma vida significativa exige espaço e tempo longe do fluxo incessante de notificações e algoritmos, permitindo que as pessoas se reconectem consigo mesmas e com o ambiente ao seu redor.

Mobilização nacional e adesão

O movimento já conta com o apoio de diversas personalidades, como o pediatra Daniel Becker, o escritor Ilan Brenman e a alpinista Aretha Duarte. Além do engajamento individual, a iniciativa tem mobilizado o setor corporativo, com mais de 80 empresas já comprometidas com a causa. O projeto também possui um viés social, já que patrocinadores do movimento contribuem para o financiamento de bolsas em programas educacionais voltados a jovens em situação de vulnerabilidade.

Para participar, os interessados podem acessar o site oficial da organização, onde estão disponíveis guias de atividades e materiais educativos. A proposta é que escolas, famílias e comunidades organizem suas próprias dinâmicas, transformando o 26 de setembro em um marco de pausa coletiva. O M1 Metrópole continuará acompanhando os desdobramentos dessa iniciativa e os impactos da tecnologia na sociedade brasileira, mantendo você informado sobre as principais tendências de comportamento e bem-estar.

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