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Presidente de rede hospitalar é afastado após denúncias de assédio e racismo

Presidente de rede hospitalar é afastado após denúncias de assédio e racismo

Afastamento e desdobramentos judiciais

O cenário administrativo do grupo Trasmontano Saúde, instituição com quase um século de história no setor hospitalar paulista, enfrenta um momento de profunda instabilidade. O presidente-executivo, Fernando José Moredo, de 85 anos, foi afastado de suas funções após vir a público uma série de denúncias graves que incluem assédio sexual, importunação sexual e racismo. As acusações, formalizadas por colaboradoras da rede, desencadearam uma batalha jurídica sobre a permanência do executivo no comando da organização.

O caso ganhou contornos complexos após uma sucessão de decisões judiciais divergentes. Inicialmente, Moredo chegou a ser afastado por um processo administrativo interno, mas obteve uma liminar na Justiça de São Paulo que garantiu seu retorno ao cargo. A situação foi revertida poucos dias depois, quando uma nova interpretação judicial confirmou o afastamento, atendendo a pedidos que visam proteger a integridade das denunciantes e garantir a lisura da apuração.

Relatos de um padrão de comportamento

A notícia-crime, protocolada no início de agosto junto ao Ministério Público de São Paulo, detalha um suposto padrão de conduta que teria se estendido por anos. Segundo os documentos, as abordagens de Fernando José Moredo envolviam desde comentários invasivos sobre a vida íntima e aparência física das funcionárias até contatos físicos sem consentimento e ofertas de benefícios financeiros em troca de favores sexuais.

Uma das funcionárias relatou que os episódios de assédio teriam se iniciado há cerca de 25 anos, logo no começo de sua trajetória profissional na empresa. Outro ponto crítico das denúncias envolve relatos de ataques racistas, nos quais o executivo teria expressado preferências discriminatórias, utilizando termos pejorativos ao se referir a mulheres negras. A gravidade dos relatos levou à criação de um comitê administrativo interno, instaurado em maio, para ouvir as colaboradoras e documentar as queixas.

Defesa e o futuro da investigação

Em nota oficial, a defesa de Fernando José Moredo, representada pelo advogado Miguel Dante Machado, nega categoricamente todas as acusações. A equipe jurídica argumenta que não existem provas idôneas que sustentem as denúncias e aponta que o caso seria fruto de uma disputa interna pelo poder dentro da organização. O advogado reforçou que a defesa busca uma apuração técnica e transparente, respeitando o contraditório e a ampla defesa.

Enquanto a investigação criminal segue seu curso, o pedido de medidas cautelares — que inclui a proibição de contato com as vítimas e o monitoramento eletrônico — reflete o receio de que a presença do executivo no ambiente de trabalho possa intimidar as testemunhas. O grupo Trasmontano, fundado em 1932 e responsável por unidades como o Hospital Igesp, na região da Avenida Paulista, permanece sob os holofotes enquanto a Justiça avalia os próximos passos do processo.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso, que coloca em pauta a importância de ambientes corporativos seguros e o rigor necessário na apuração de denúncias de abuso de poder. Para continuar informado sobre os fatos que impactam a sociedade e a rotina das grandes cidades, acompanhe nossas atualizações diárias e aprofunde-se em nossas coberturas exclusivas.

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