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Ausência de Tarcísio em agenda de Flávio Bolsonaro na periferia de SP repercute entre aliados

Ausência de Tarcísio em agenda de Flávio Bolsonaro na periferia de SP repercute entre aliados
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A coordenação da campanha presidencial em São Paulo, assumida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta seu primeiro teste público com a ausência do próprio governador na agenda inaugural de Flávio Bolsonaro (PL) na periferia da capital paulista. O evento, marcado para esta quinta-feira (20), na zona leste, é visto como estratégico para a campanha e a falta de Tarcísio levanta discussões nos bastidores políticos sobre o nível de engajamento e as prioridades do chefe do executivo estadual.

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro cumpre uma série de compromissos importantes para a articulação política e a aproximação com o eleitorado, Tarcísio de Freitas estará envolvido em uma sabatina eleitoral. Esse desencontro de agendas, embora justificado por compromissos pré-agendados, não passou despercebido pelos aliados e observadores políticos, que analisam as implicações para a dinâmica da campanha.

Compromissos paralelos e a visita à zona leste

A agenda de Flávio Bolsonaro na capital paulista foi cuidadosamente planejada para marcar sua presença em regiões de grande densidade populacional e relevância social. A partir das 9h desta quinta-feira (20), o senador visitará o Mercadão de São Miguel, um polo comercial vibrante na zona leste, onde terá contato direto com comerciantes e consumidores. No mesmo local, ele também percorrerá o Armazém Solidário, um programa que oferece produtos a preços subsidiados para famílias inscritas no CadÚnico, reforçando a pauta social da campanha.

Posteriormente, Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tem sido um articulador chave para a visita, seguirão para o CDC (Clube da Comunidade) Waldemar Moreno, na Vila Formosa. Lá, participarão de uma roda de conversa com a comunidade, buscando ouvir demandas e apresentar propostas. Simultaneamente, o governador Tarcísio de Freitas estará em uma sabatina promovida pela rádio CBN, um compromisso crucial em sua própria campanha pela reeleição, onde terá a oportunidade de dialogar com um público mais amplo sobre suas propostas e gestão.

Apesar do choque de horários, há uma possibilidade de que Flávio e Tarcísio se encontrem mais tarde, em um almoço com empresários da zona leste, também organizado com o apoio do prefeito Nunes, no Hocca Bar do Shopping da Mooca. Este encontro, se concretizado, poderia servir para amenizar a percepção de distanciamento gerada pela ausência inicial.

Reclamações nos bastidores e o apoio “protocolar”

A ausência de Tarcísio de Freitas na primeira grande agenda de Flávio Bolsonaro na periferia de São Paulo não foi bem recebida por uma parcela dos aliados bolsonaristas. Nos bastidores, parlamentares do grupo expressam queixas recorrentes sobre o que consideram um apoio meramente “protocolar” do governador ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A percepção é de que Tarcísio, embora tenha assumido a coordenação da campanha presidencial no estado, não tem demonstrado o engajamento esperado.

Sob condição de anonimato, um parlamentar bolsonarista revelou à Folha de S.Paulo que as datas da visita do senador à capital paulista já eram de conhecimento prévio, sugerindo que o governador poderia ter ajustado sua agenda para participar. As críticas se estendem à falta de menções a Flávio Bolsonaro nas redes sociais de Tarcísio e à ausência de citações ao candidato em sabatinas e no único debate para o Governo de São Paulo realizado até o momento, promovido pela Band no dia 9. Essa insatisfação interna aponta para uma tensão crescente dentro da base aliada, que busca um alinhamento mais explícito e ativo do governador.

Distanciamento estratégico e as nuances do bolsonarismo

O cenário político em São Paulo é complexo, e as ações de Tarcísio de Freitas são observadas com lupa. Em uma sabatina recente na rádio Jovem Pan, realizada nesta terça-feira (18), o governador foi questionado sobre sua identificação com o bolsonarismo. Sua resposta, “Eu me identifico sim com o bolsonarismo. [Mas] é lógico que a gente sempre rechaça aquilo que não faz sentido”, foi interpretada como um movimento de distanciamento de aspectos mais controversos da pauta bolsonarista.

Para exemplificar, Tarcísio destacou os esforços de seu governo na ampliação da cobertura vacinal, em contraste com as declarações do ex-presidente Bolsonaro contra a vacinação durante a pandemia de Covid-19, que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil. Essa postura sugere uma tentativa de Tarcísio de moderar sua imagem e ampliar seu eleitorado, sem, contudo, romper completamente com a base bolsonarista que o elegeu. A estratégia de Flávio Bolsonaro de montar um quartel-general próprio na capital paulista, após a resistência da equipe de Tarcísio em compartilhar um único comitê, reforça a ideia de que há diferentes abordagens e prioridades dentro do mesmo espectro político.

A vitória em São Paulo, o estado mais populoso do país, é considerada crucial para o resultado nacional da campanha presidencial. A forma como Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro coordenarão suas agendas e estratégias nos próximos meses será determinante para o sucesso de ambos e para a coesão do grupo político que representam.

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