O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou nesta terça-feira (18), em São Paulo, as diretrizes de seu plano de governo voltado para a área da saúde. Com uma proposta que busca equilibrar a tradição da medicina preventiva com a modernização tecnológica, o projeto foi elaborado sob a coordenação do ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta.
Estratégias para a modernização do atendimento
A espinha dorsal da proposta apresentada por Caiado reside na digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS). O candidato defende a implementação de um prontuário eletrônico nacional, que permitiria o compartilhamento de dados entre unidades básicas e hospitais de alta complexidade. A ideia é utilizar a inteligência artificial para otimizar a gestão de filas e auxiliar no diagnóstico precoce de enfermidades, reduzindo a burocracia e o desperdício de recursos públicos.
Ao citar exemplos internacionais, como a integração digital na Índia, o ex-governador enfatizou que a tecnologia é a chave para evitar a repetição desnecessária de exames e garantir que o histórico do paciente esteja disponível em qualquer ponto da rede pública. Além disso, o plano prevê o fortalecimento da telemedicina, permitindo que especialistas deem suporte remoto a médicos de unidades básicas em regiões remotas do país.
Reorganização das filas e foco em doenças graves
Um dos pontos mais sensíveis da apresentação foi a promessa de reformular os critérios de atendimento no SUS. Caiado argumentou que o sistema atual, baseado majoritariamente na ordem de chegada, falha ao não priorizar a gravidade clínica. A proposta é que pacientes oncológicos, vítimas de AVC ou infarto tenham protocolos de atendimento diferenciados, garantindo que a urgência médica dite o ritmo da fila, e não apenas o tempo de espera.
O candidato também destacou a necessidade de adaptar a rede pública ao envelhecimento populacional brasileiro. Com cerca de 32 milhões de cidadãos acima dos 60 anos, o plano propõe uma reestruturação voltada para doenças crônicas, transtornos mentais e condições neurodegenerativas. Segundo o ex-governador, a demanda por instituições de acolhimento e cuidados especializados para idosos já supera, em muitos cenários, a necessidade de creches.
Ciência, vacinação e soberania industrial
Em um momento de queda nas coberturas vacinais, Caiado reafirmou seu compromisso com a ciência e criticou a disseminação de informações falsas sobre imunizantes. O plano inclui metas claras para recuperar os índices históricos de vacinação do Brasil, tratando a imunização como uma política de Estado inegociável. O candidato também defendeu a autonomia nacional na produção de medicamentos e insumos farmacêuticos.
Para o ex-governador, a pandemia de covid-19 evidenciou a vulnerabilidade do país frente à dependência de fornecedores externos. A proposta é incentivar o complexo industrial da saúde para que o Brasil tenha maior capacidade de resposta a crises sanitárias. O plano ainda reserva espaço para o tratamento de doenças raras, com a promessa de criar centros especializados e investir em terapias genômicas para oferecer tratamentos personalizados.
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