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Ronaldo Caiado defende liderança brasileira contra o crime organizado e rejeita intervenção dos EUA

Ronaldo Caiado defende liderança brasileira contra o crime organizado e rejeita intervenção dos EUA
O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, em evento em SP Alexandre Gajardoni/PSD

Em um debate sobre segurança e soberania nacional, o então candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, fez uma declaração contundente sobre o combate ao crime organizado no Brasil. Segundo Caiado, a responsabilidade de enfrentar o narcotráfico e outras atividades criminosas na América do Sul recai sobre o próprio Brasil, rechaçando qualquer expectativa de intervenção ou solução vinda dos Estados Unidos.

A afirmação foi feita em São Paulo, em 17 de agosto, após ser questionado sobre as tentativas dos EUA de classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, como grupos terroristas. Para Caiado, essa classificação, embora reflita a gravidade do problema, não transfere a incumbência da resolução para outra nação.

A visão de Caiado sobre a soberania no combate ao crime

Caiado foi enfático ao declarar que a questão do crime organizado é intrinsecamente brasileira e que a solução deve ser liderada pelo país. “Os americanos não vão resolver problema que é nosso. Eu não tenho preocupação nenhuma com os americanos. Quem vai resolver esse problema somos nós, brasileiros”, afirmou o candidato, sublinhando a necessidade de uma postura ativa e autônoma do Brasil.

A discussão sobre a interferência externa no combate a grupos criminosos complexos como o PCC e o Comando Vermelho é um tema sensível. Enquanto alguns defendem a cooperação internacional como essencial, a visão de Caiado ressalta a importância da soberania e da capacidade nacional de enfrentar seus próprios desafios de segurança, sem depender de ações de potências estrangeiras que podem ter agendas distintas.

O desafio do crime organizado nas fronteiras brasileiras

O candidato do PSD alertou para as consequências da inação do governo brasileiro diante do avanço do crime organizado, que, segundo ele, coloca outros países em risco. A complexidade do cenário exige, na visão de Caiado, uma ampliação da cooperação com as nações vizinhas da América do Sul para combater o narcotráfico, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, que não conhecem fronteiras geográficas.

A Amazônia brasileira foi citada como um “hub logístico” crucial para o tráfico de drogas, evidenciando a vulnerabilidade das extensas fronteiras do país. Essa realidade, segundo Caiado, já gera preocupação em países europeus, que observam o avanço da cocaína em seus territórios, muitas vezes com origem ou trânsito pelo Brasil. A presença global do PCC em 29 países, mencionada por Caiado, reforça a dimensão transnacional do problema e a urgência de uma resposta coordenada.

Proposta de cooperação regional: a ‘Sulpol’

Diante da magnitude do desafio, Caiado defendeu que o combate ao crime organizado deve envolver os dez países que fazem fronteira com o Brasil. A proposta central é a criação de uma estrutura de cooperação policial entre os países sul-americanos, com um modelo que permita o livre acesso aos territórios para ações coordenadas de combate ao narcotráfico e a outros crimes associados.

“Essa polícia avançará. Será uma Sulpol, ou seja, a polícia dessa área da América do Sul”, projetou Caiado, delineando uma visão de segurança regional integrada. Tal iniciativa buscaria superar as barreiras burocráticas e políticas que frequentemente dificultam a ação conjunta contra redes criminosas que operam transnacionalmente, oferecendo uma resposta mais robusta e eficaz ao avanço da criminalidade organizada na região.

A proposta de Caiado destaca a necessidade de o Brasil assumir um papel de liderança regional na segurança, reconhecendo que a estabilidade de seus vizinhos está intrinsecamente ligada à sua própria. O debate sobre a melhor forma de combater o crime organizado continua sendo um dos pilares das discussões sobre segurança pública e política externa no país.

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