A partir de outubro, o Brasil adota um novo protocolo para a captação de hemocomponentes, com mudanças significativas que prometem ampliar o número de voluntários aptos a contribuir com os estoques dos hemocentros. A atualização, estabelecida pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, revisa critérios de inaptidão temporária e moderniza processos técnicos de triagem e armazenamento.
Flexibilização para procedimentos estéticos e tatuagens
Uma das alterações mais aguardadas pelos doadores frequentes é a redução do prazo de espera após a realização de tatuagens, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento. Caso o procedimento tenha sido realizado em local com comprovação de normas de segurança, o período de inaptidão cai para apenas sete dias. Na ausência dessa garantia, o intervalo permanece em quatro meses.
A medida também contempla quem utiliza piercing. Para pessoas com perfurações na região da boca ou genital, a doação passa a ser permitida quatro meses após a retirada do acessório. Além disso, o prazo de inaptidão para quem passou por endoscopia ou utilizou anabolizantes sem prescrição médica foi reduzido de seis para quatro meses, facilitando o retorno desses indivíduos ao ciclo de doações.
Tecnologia e segurança na triagem
O Ministério da Saúde justifica a atualização com base no avanço das tecnologias laboratoriais. O destaque é a implementação do exame NAT Plus, desenvolvido pela Bio-Manguinhos/Fiocruz, que eleva a precisão na detecção de HIV, hepatites B e C, além do parasita da malária. Com essa tecnologia, o critério para quem esteve em áreas endêmicas ou de mata foi flexibilizado: o tempo de espera cai de um ano para 30 dias.
A segurança do processo também ganha reforço com a adoção do padrão internacional ISBT 128. Este sistema de identificação permite o rastreamento completo de cada bolsa, desde a coleta até a transfusão ou o envio do plasma para a indústria farmacêutica, minimizando riscos de erros operacionais. Outro ganho técnico é a extensão da validade dos concentrados de plaquetas, que passam de cinco para sete dias. A mudança é estratégica para o suporte a pacientes oncológicos e pessoas com doenças hematológicas que dependem de transfusões constantes.
Inclusão e critérios para novos doadores
O novo regulamento também abre espaço para a permanência de doadores idosos. Até então, os 70 anos eram o limite absoluto para a doação. Com a nova regra, pessoas com 70 anos ou mais poderão continuar doando, desde que sejam doadores regulares, apresentem boas condições de saúde e sejam aprovados na avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia.
Para quem deseja se tornar um doador, os requisitos básicos permanecem inalterados: é necessário ter entre 18 e 69 anos — com adolescentes de 16 anos podendo doar mediante consentimento formal dos responsáveis —, pesar no mínimo 50 kg, estar bem alimentado e ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas. O interessado deve apresentar um documento oficial com foto, físico ou digital, em qualquer hemocentro do país.
O M1 Metrópole segue acompanhando as atualizações das políticas de saúde pública e o impacto dessas mudanças no cotidiano da população. Continue conosco para se manter informado sobre temas que afetam diretamente a sociedade e a qualidade de vida em todo o Brasil.