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Falso médico é preso no Rio de Janeiro por atender criança com câncer

Falso médico é preso no Rio de Janeiro por atender criança com câncer

A Polícia Civil do Rio de Janeiro efetuou a prisão em flagrante de um homem de 39 anos, identificado como Diogo dos Santos Serpa, na última quinta-feira, dia 6 de agosto de 2026. A detenção ocorreu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, sob a grave acusação de exercício ilegal da medicina. O suspeito foi flagrado no momento em que realizava um atendimento domiciliar a uma criança de apenas dez anos, que luta contra um tumor cerebral, levantando sérias preocupações sobre a segurança e a integridade da saúde pública.

No instante da prisão, Serpa utilizava um carimbo e um receituário em nome de outro profissional da medicina, tentando se passar por um médico legítimo. Questionado pelas autoridades, ele alegou estar cursando o último período de medicina, uma justificativa que não se sustenta diante das evidências e da gravidade dos atos praticados.

O Esquema do Falso Médico e a Vítima Vulnerável

As investigações revelaram que, desde outubro de 2025, Diogo dos Santos Serpa vinha se apresentando falsamente como o médico responsável pelo serviço de home care da criança. Durante esse período, ele prescreveu medicamentos, solicitou exames e emitiu encaminhamentos médicos para a vítima, que possui uma doença grave e necessita de cuidados especializados e legítimos. A utilização de carimbos falsificados e o número de registro de outro profissional cadastrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) foram cruciais para a manutenção da farsa, conforme apurado pela Polícia Civil.

A descoberta do esquema partiu da perspicácia da mãe da criança. Ela começou a desconfiar de algumas atitudes de Serpa durante os atendimentos e decidiu pesquisar o nome que ele utilizava. Foi então que notou que a foto do profissional correspondia a outra pessoa, um indício claro de falsidade. Imediatamente, a mãe procurou a 63ª Delegacia de Polícia (DP), que prontamente iniciou a investigação que culminou na prisão do suspeito.

As Acusações e o Histórico Criminal do Suspeito

Diogo Serpa foi autuado por uma série de crimes graves, refletindo a complexidade e o perigo de suas ações. Entre as acusações estão exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, estelionato tentado e perigo para a vida ou saúde de outrem. A combinação desses delitos sublinha a intenção de enganar e a potencial ameaça à vida dos pacientes, especialmente os mais vulneráveis como a criança com câncer.

Durante a operação, os agentes apreenderam todo o material utilizado por Serpa nos atendimentos, incluindo o carimbo e os receituários com o nome do outro profissional, além de outros receituários que já estavam carimbados. Esses itens servem como provas materiais contundentes contra o acusado.

O histórico criminal de Serpa adiciona uma camada de preocupação ao caso. A polícia informou que ele já possui anotações criminais por falsidade ideológica, furto de medicamentos em farmácia, furto em farmácia e peculato. Esse padrão de comportamento, envolvendo fraude e apropriação indevida, reforça a gravidade de suas ações e a necessidade de uma rigorosa apuração.

A Argumentação da Defesa e os Desdobramentos Legais

A defesa de Diogo Serpa, representada pelo advogado Arthur Lavigne, apresentou um pedido de habeas corpus à Justiça. O argumento central é que a prisão preventiva do suspeito não seria necessária, uma vez que as provas para a investigação já teriam sido colhidas e sua liberdade não comprometeria o andamento do processo. “Ainda que os elementos já colhidos possam justificar a continuidade da investigação, a existência de indícios de autoria não torna automática a prisão preventiva. Confundir a plausibilidade da imputação com a necessidade da custódia significaria admitir que a própria suspeita da prática delitiva fosse suficiente para justificar a prisão”, afirmou a defesa à Justiça, buscando a revogação da prisão.

No entanto, a decisão sobre a manutenção da prisão preventiva leva em conta diversos fatores, como a garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal. Em casos de crimes que envolvem risco à saúde pública e vulnerabilidade das vítimas, a Justiça tende a ser mais rigorosa. A continuidade do processo legal determinará o desfecho para Diogo Serpa, enquanto a sociedade aguarda respostas e medidas que coíbam práticas tão perigosas.

O caso do falso médico no Rio de Janeiro acende um alerta crucial sobre a importância de verificar sempre as credenciais de profissionais de saúde, especialmente em atendimentos domiciliares. Órgãos como o Conselho Regional de Medicina (CRM) oferecem ferramentas de consulta pública que permitem confirmar a regularidade de médicos. A vigilância e a denúncia são ferramentas essenciais para proteger a população contra fraudes que podem ter consequências trágicas.

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