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Moradia digna em SP: o papel crucial do governo estadual para mais de um milhão de famílias

Moradia digna em SP: o papel crucial do governo estadual para mais de um milhão de famílias
Defesa Civil/Divulgação

A busca por um lar seguro e adequado é uma realidade para milhões de paulistas, e a história de Walquíria Porfírio dos Anjos, moradora de Embu das Artes, na Grande São Paulo, ilustra bem essa jornada. Após anos de espera, mutirões e até protestos, Walquíria recebeu as chaves de seu apartamento, que ela mesma ajudou a construir. Hoje síndica do condomínio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Parque Pirajussara, ela vive há 15 anos no imóvel que viu nascer, tendo participado ativamente da instalação elétrica. Seu exemplo é um reflexo direto de como as políticas públicas estaduais podem impactar profundamente a vida de milhares de famílias.

Em São Paulo, o governo do estado desempenha um papel fundamental na questão habitacional. Suas responsabilidades incluem o financiamento de empreendimentos, o apoio a municípios com menos recursos e a gestão de situações de risco. Apesar dos esforços e das centenas de milhares de unidades entregues nas últimas décadas, o desafio da moradia SP permanece imenso: estima-se que cerca de 1 milhão de famílias ainda necessitem de habitação adequada e definitiva em todo o estado.

A urgência da moradia SP: um milhão de famílias à espera

Embora a construção de moradias populares seja frequentemente associada a esferas federais ou municipais, a atuação dos estados é vital. Em São Paulo, a CDHU é a principal ferramenta para construir, financiar e viabilizar habitações destinadas principalmente à população de baixa renda. Dados do governo estadual indicam que quase 210 mil unidades habitacionais foram entregues nos últimos dez anos, alcançando 394 dos 645 municípios paulistas. No entanto, a demanda ainda é alta, com um milhão de famílias aguardando acesso a um lar digno.

A questão da moradia se torna um dos temas centrais nas discussões sobre as eleições de 2026, sendo um dos pontos abordados na série especial do M1 Metrópole sobre como as decisões do governo paulista afetam diretamente a vida dos cidadãos em áreas essenciais como segurança, saúde e, claro, habitação. O próximo governador terá o desafio de enfrentar essa demanda crescente e complexa.

O papel estratégico do estado nos municípios menores

Para especialistas, a presença do governo estadual é ainda mais crítica em cidades fora dos grandes centros urbanos. Laryssa Kruger, coordenadora do Insper Cidades e especialista em habitação, ressalta que muitos municípios carecem de estrutura técnica e financeira para desenvolver suas próprias políticas habitacionais. Nesses contextos, a intervenção do estado é decisiva para viabilizar empreendimentos, regularizar imóveis e garantir o acesso da população de baixa renda à moradia formal.

“O governo estadual pode ter um papel muito estratégico, principalmente quando a gente está falando de pequenos municípios, que não vão ter tantas condições de viabilizar as suas próprias políticas e vão precisar de mais aporte, seja do governo estadual, seja do governo federal”, explica Kruger. Essa atuação se torna ainda mais urgente em regiões com escassez de recursos e alta incidência de áreas de risco, onde desastres naturais, como enchentes e deslizamentos, são uma ameaça constante.

Desafios em áreas de risco e a atuação da Defesa Civil

A vulnerabilidade de diversas comunidades paulistas a desastres naturais é um fator que agrava a crise habitacional. Um estudo de 2018 do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revelou que, naquele ano, 1,5 milhão de pessoas viviam em áreas de risco no estado, suscetíveis a enchentes e deslizamentos. A tragédia na Vila Sahy, em São Sebastião, que ainda apresenta risco de deslizamento um ano após o ocorrido, é um lembrete doloroso da urgência de políticas eficazes de prevenção e realocação.

A atuação da Defesa Civil estadual é fundamental nessas regiões, mas a solução definitiva passa por políticas habitacionais que removam famílias de áreas perigosas e ofereçam alternativas seguras. A integração entre a construção de novas moradias e a gestão de riscos é um dos grandes desafios para o próximo governo.

Moradia não é só entregar uma chave: a complexidade da habitação

A política habitacional vai muito além da simples entrega de chaves de novos apartamentos. Muitos paulistas já possuem uma casa, mas vivem em condições precárias, com problemas como infiltrações, ventilação inadequada, riscos estruturais, ligações irregulares de água e energia, ou sem a devida documentação. Para Laryssa Kruger, programas focados exclusivamente na casa própria não são suficientes para resolver a complexidade do problema habitacional.

“A gente tem uma cultura muito de casa própria, mas sempre reforço a importância de pensar em um conjunto de políticas de habitação que não sejam só com transferência de bem”, afirma a especialista. Intervenções menores, como reformas estruturais, ampliação de cômodos, melhorias na ventilação e iluminação, obras de drenagem e contenção de encostas, e a regularização fundiária, podem gerar impactos significativos na qualidade de vida, tornando as moradias mais seguras e saudáveis sem a necessidade de deslocar famílias inteiras. A Vila Gilda, em Santos, com seu dique considerado o maior aglomerado de palafitas da América Latina, é um exemplo claro da necessidade de soluções multifacetadas.

O futuro da moradia SP dependerá de uma abordagem abrangente e integrada, que considere tanto a construção de novas unidades quanto a melhoria das condições existentes e a segurança das áreas vulneráveis. O próximo governo estadual terá a responsabilidade de traçar um caminho que garanta dignidade e segurança habitacional para todos os paulistas. Para aprofundar-se em outros temas cruciais para o estado e acompanhar a cobertura completa das eleições, continue navegando pelo M1 Metrópole, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada. Saiba mais sobre as políticas do governo de São Paulo.

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