O continente europeu se vê novamente sob os efeitos de uma onda de calor histórica, a segunda em apenas dois meses, marcando o verão de 2026 com temperaturas extremas e desafios significativos para moradores e turistas. Alertas urgentes foram emitidos em mais de uma dezena de países, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de medidas preventivas e estratégias de enfrentamento.
As consequências do calor intenso já se fazem sentir em diversas frentes. Na Grã-Bretanha, linhas ferroviárias foram interrompidas, enquanto na França, pontos turísticos icônicos como o Louvre e a Torre Eiffel tiveram que fechar mais cedo para garantir a segurança dos visitantes. A rede elétrica francesa também sofreu falhas, deixando mais de 68 mil residências sem energia. Este cenário, que remete à severidade da onda de calor de agosto de 2003 – evento que causou cerca de 70 mil mortes em toda a Europa –, coloca em evidência a vulnerabilidade das cidades e a urgência de adaptação climática.
Impactos e antecedentes da onda de calor Europa
A França, em particular, registrou seus dias mais quentes da história neste ano, conforme dados da agência meteorológica Météo-France. A recorrência e a intensidade dessas ondas de calor são um lembrete contundente dos efeitos das mudanças climáticas, que tornam eventos extremos mais frequentes e severos. Além dos transtornos em infraestruturas e serviços, o calor extremo tem um custo humano direto. Na última semana, pelo menos 40 pessoas, muitas delas adolescentes, morreram afogadas na França, levando as autoridades a emitir alertas contra banhos em áreas não supervisionadas.
Meteorologistas preveem que as temperaturas na Europa Ocidental devem retornar gradualmente a níveis mais sazonais a partir de sexta-feira. Contudo, a Europa Oriental se prepara para um fim de semana igualmente escaldante, e a alta temporada de viagens de verão, que se estende por julho e agosto, geralmente apresenta temperaturas ainda mais elevadas do que as registradas em junho. Isso significa que a atenção e as precauções devem ser mantidas ao longo dos próximos meses.
Desafios para turistas: a falta de ar-condicionado
Um dos maiores desafios para turistas, especialmente aqueles acostumados com a ampla disponibilidade de ar-condicionado em regiões como Estados Unidos, Japão e Emirados Árabes Unidos, é a escassez desse recurso em muitas partes da Europa. Na França, apenas cerca de um quarto das residências possui ar-condicionado. Na Grã-Bretanha, é considerado um luxo em casas projetadas para reter calor, não para dissipá-lo.
Katie Wignall, guia da Look Up London Tours, destaca que a maioria dos hotéis oferece ar-condicionado, mas alerta para a necessidade de verificar duas vezes ao optar por aluguéis de curta temporada, como Airbnbs. Em Roma, Fabio Coppola, proprietário da rede de hostels YellowSquare, confirma que hotéis de três estrelas ou superiores geralmente possuem o equipamento, mas reforça a importância de consultar os anfitriões em aluguéis residenciais, já que muitos moradores locais não utilizam o sistema.
Estratégias para se refrescar nas cidades europeias
Para quem busca alívio do calor, diversas estratégias podem ser adotadas. Em Londres, Wignall recomenda utilizar as linhas de metrô Circle, District e Elizabeth, ou o London Overground, que geralmente possuem ar-condicionado. Evitar alguns ônibus, que podem ser “mais quentes que o sol”, é uma dica valiosa. A cidade oferece ainda as fontes do pátio da Somerset House ou da Granary Square, em Kings Cross, para se refrescar. Ruas arborizadas e sombrias em bairros como Bloomsbury e os cemitérios do século 19, conhecidos como “Magnificent Seven”, são opções para caminhadas mais amenas.
Em Paris, o site do governo da Île-de-France disponibiliza uma rede de refúgios climáticos e áreas de resfriamento a até 10 minutos de caminhada. O escritório de turismo da cidade também lista piscinas públicas. Sophie Gacheny, guia turística independente, sugere evitar piscinas públicas lotadas e o Rio Sena, optando por uma pausa para o almoço ao lado do Canal Saint Martin, que foi aberto devido à onda de calor e oferece ar fresco vindo da água, com áreas designadas para nado.
Já em Roma, para escapar do sol escaldante, os jardins da Villa Borghese ou do Giardino degli Aranci são ideais. Uma viagem de 30 minutos de trem pode levar a praias no Mar Mediterrâneo, como Ostia ou a mais charmosa Santa Marinella, para um mergulho gratuito. Em Milão, o Bagni Misteriosi oferece uma histórica e bela piscina pública.
Explorando o subsolo: uma alternativa fresca
Quando as temperaturas na superfície se tornam insuportáveis, o subsolo oferece um refúgio natural. Em Berlim, é possível mergulhar na história visitando bunkers subterrâneos da Segunda Guerra Mundial ou túneis de fuga cavados nos anos 1960 entre Berlim Oriental e Ocidental. Essas experiências não só proporcionam alívio térmico, mas também uma perspectiva única sobre o passado da cidade.
Em Praga, a história medieval da cidade pode ser explorada através de suas prisões subterrâneas, cisternas antigas e vielas abobadadas do século 13, construídas antes que inundações forçassem a elevação da cidade. Próximo à Torre Eiffel, em Paris, o Musée des Égouts de Paris (museu do esgoto) oferece uma interessante e surpreendentemente fresca perspectiva sobre a engenharia e a história da capital francesa.
A onda de calor na Europa em 2026 serve como um lembrete crucial da importância de se preparar para condições climáticas extremas, seja você um morador local ou um viajante. Planejar com antecedência, buscar informações sobre refúgios climáticos e adaptar o roteiro para horários mais amenos são atitudes essenciais para garantir a segurança e o bem-estar. Para mais notícias, análises e guias sobre os eventos que moldam o Brasil e o mundo, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada.