PUBLICIDADE

Indiciamento da Voepass causa revolta em familiares de vítimas da tragédia em Vinhedo

Indiciamento da Voepass causa revolta em familiares de vítimas da tragédia em Vinhedo
Foto: Reprodução/EPTV

Cultura de negligência e o choque com o indiciamento

O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas em 2024, trouxe à tona uma realidade devastadora para os familiares das vítimas. Nesta quinta-feira (6), o indiciamento de 16 pessoas, entre executivos e funcionários, foi recebido com um misto de surpresa e indignação por quem perdeu entes queridos na tragédia.

Fátima Albuquerque, presidente da Associação de Familiares das Vítimas e mãe de uma das pessoas a bordo, não poupou críticas à conduta da companhia aérea. Segundo ela, o que se viu foi uma “cultura criminosa” institucionalizada, onde profissionais qualificados, incluindo engenheiros formados em instituições de elite como a USP, teriam optado por realizar “gambiarras” em vez de seguir os protocolos de segurança exigidos.

“Eram profissionais preparados sabotando a fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar”, desabafou Fátima. Para a representante, o acidente não foi um evento isolado, mas uma “tragédia anunciada”, fruto de um modus operandi que ignorava riscos fatais para manter as aeronaves em operação.

Falhas recorrentes e a omissão de panes graves

A investigação da Polícia Federal revelou um cenário de negligência sistêmica. O inquérito concluiu que a queda foi causada por uma combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo e a operação da aeronave em condições meteorológicas severas, agravada pela omissão deliberada de informações técnicas.

Relatos apontam que tripulações anteriores omitiam panes graves no diário de bordo técnico para evitar que o avião ficasse retido em solo. O áudio da caixa-preta, que registrou o desespero dos pilotos momentos antes do impacto, confirmou a gravidade da situação com a frase: “Essa bosta não tá funcionando, né?”. O documento da PF detalha que o Despachante Operacional de Voo (DOV) autorizava decolagens mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes.

Justiça e o longo caminho pela frente

Enquanto Fátima Albuquerque expressa sua revolta com a dimensão do indiciamento, Adriana Ibba, mãe da pequena Liz, de 3 anos, descreve o momento como um “sentimento de vitória”. Para ela, o indiciamento é um passo fundamental, embora reconheça que a punição dos responsáveis não terá o poder de reparar a perda irreparável.

“É o início de uma longa caminhada que nós teremos pela frente, porque nós vamos até o fim da justiça por eles”, afirmou Adriana. O próximo passo das famílias é ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais, buscando responsabilizar não apenas os indivíduos, mas também as empresas e instituições que falharam em garantir a segurança dos passageiros.

O advogado Leonardo Amarante, que representa parte das famílias, reforça que a medida judicial visa complementar as ações individuais já em curso. O objetivo é estabelecer um precedente que force o fortalecimento da fiscalização na aviação civil brasileira, um setor que, segundo os familiares, carece de maior rigor por parte das agências reguladoras.

O papel das agências e o futuro da segurança aérea

A tragédia em Vinhedo colocou sob holofotes a atuação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Fátima Albuquerque fez um apelo contundente para que os órgãos de controle tenham mais autonomia e força. “A Anac fez tudo certo, mas na hora de ter força, não teve”, ponderou, comparando a necessidade de vigilância à importância de outros órgãos reguladores em crises nacionais.

A Voepass, em nota, informou que aguarda a divulgação oficial do relatório da PF para se manifestar integralmente. A companhia tem reiterado, desde o ocorrido, que prestou apoio às famílias e que o acidente foi o episódio mais grave de sua história. Enquanto o processo judicial segue seu curso, a sociedade acompanha o desdobramento de um caso que, segundo especialistas, deve se tornar um marco para a segurança da aviação no Brasil.

Para continuar acompanhando os desdobramentos deste caso, a cobertura completa sobre segurança aérea e os bastidores das investigações, siga o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, relevantes e com o contexto necessário para entender os fatos que impactam o país.

Leia mais

PUBLICIDADE