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Ansiedade lidera causas de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos

Ansiedade lidera causas de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos
Reprodução Folha

Um alerta sobre a saúde mental na infância

A saúde mental das crianças brasileiras atravessa um momento crítico que exige atenção imediata de autoridades e famílias. Dados recentes revelam que, antes mesmo de completarem dez anos, crianças no Brasil já possuem uma probabilidade maior de conviver com algum grau de incapacidade decorrente da ansiedade do que por qualquer enfermidade física. Este cenário, que desafia o senso comum sobre a vulnerabilidade infantil, foi detalhado em uma análise inédita publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas.

O levantamento utiliza como base o GBD 2023 (Global Burden of Disease), a mais abrangente análise sobre a carga global de doenças. Os números são expressivos: mais de 15 milhões de brasileiros, com idades entre 5 e 29 anos, convivem com ao menos um transtorno mental. Isso representa cerca de 20,91% de toda a população nessa faixa etária no país, evidenciando uma crise silenciosa que se manifesta precocemente.

O desafio da transição e a necessidade de políticas públicas

A pesquisa, liderada pelo psiquiatra Christian Kieling, da UFRGS e do Hospital Moinhos de Vento, aponta que o tratamento da saúde mental não pode ser genérico. O estudo defende que a infância e a adolescência possuem necessidades distintas, que variam conforme o desenvolvimento biológico e social. Por exemplo, enquanto a ansiedade é predominante nos primeiros anos, a incidência de depressão tende a crescer significativamente após os 14 ou 15 anos, com maior prevalência entre o público feminino.

Um dos pontos críticos levantados pelos especialistas é o corte abrupto no atendimento ao atingir a maioridade. A transição dos serviços de saúde infantojuvenis para os de adultos, geralmente aos 18 anos, ocorre justamente no período de maior demanda e instabilidade emocional. Segundo Kieling, essa quebra estrutural no sistema de saúde pode prejudicar a continuidade do cuidado, gerando um vácuo assistencial em um momento de transições fundamentais na vida do indivíduo.

Crescimento de internações e o impacto na sociedade

O cenário regional reflete a gravidade do problema nacional. No estado de São Paulo, as internações por transtornos mentais e comportamentais entre crianças e adolescentes registraram um crescimento alarmante entre 2020 e 2025. A faixa etária de 5 a 9 anos apresentou o maior aumento percentual de hospitalizações, com uma alta de 98,3%, um dado que acende um sinal vermelho para as políticas de saúde pública voltadas à base da pirâmide etária.

Além da ansiedade, o estudo aponta que cerca de 2,5 milhões de jovens brasileiros preenchem critérios para transtornos por uso de substâncias, como o álcool, cujo consumo apresenta um padrão de crescimento mais acentuado entre meninos. A comparação com mais de 300 condições de saúde monitoradas pelo GBD reforça que, a partir dos 15 anos, a combinação de ansiedade e depressão supera qualquer doença física como principal causa de incapacidade, consolidando-se como o maior desafio de saúde pública para as novas gerações.

Para acompanhar os desdobramentos sobre saúde pública, educação e bem-estar, continue lendo o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas e o contexto necessário para compreender as transformações da sociedade brasileira com seriedade e transparência.

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