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Tratamento de piolho: clínicas especializadas no Brasil adotam métodos sem remédios com custos até R$ 490

Tratamento de piolho: clínicas especializadas no Brasil adotam métodos sem remédios com custos até R$ 490
Rafaela Araújo/Folhapress

A infestação por piolhos, conhecida cientificamente como pediculose, é um problema comum que afeta milhões de crianças e famílias anualmente. No entanto, a busca por soluções eficazes e, principalmente, sem o uso de produtos químicos agressivos, tem impulsionado o surgimento de um novo nicho de mercado no Brasil: as clínicas especializadas em remoção de piolhos. Com métodos inspirados em práticas europeias, esses centros oferecem tratamentos naturais que podem custar até R$ 490, prometendo alívio para quem busca alternativas aos shampoos e loções tradicionais.

A novidade, que já é consolidada em países como Portugal e Espanha, vem ganhando espaço em grandes centros urbanos brasileiros, como São Paulo. A proposta é simples: eliminar piolhos e lêndeas por meio de técnicas mecânicas e térmicas, sem recorrer a fármacos que, em alguns casos, podem causar reações alérgicas ou simplesmente não ser eficazes contra cepas resistentes.

A ascensão do tratamento de piolho sem fármacos

A história da advogada Camila Moreira Frazão, 45, ilustra bem a demanda por esses serviços. Em agosto de 2026, ao notar que sua filha, Maria Celina, de dois anos, coçava a cabeça incessantemente, Camila e seu marido inicialmente suspeitaram de alergia. Após uma tentativa frustrada de tratamento com shampoo antialérgico, descobriram uma severa infestação de lêndeas. O uso de shampoos específicos para pediculose, por sua vez, provocou uma reação alérgica na criança, levando a família a uma busca desesperada por outras soluções.

Foi nesse contexto que Camila encontrou um centro de remoção de piolhos, um tipo de serviço que ela desconhecia. A experiência foi descrita como uma verdadeira “salvação”, destacando a frustração e o desamparo que muitas famílias sentem ao lidar com a pediculose, especialmente quando os tratamentos convencionais falham ou causam efeitos adversos.

Métodos europeus chegam ao Brasil: aspiração e termoterapia

O sucesso dessas clínicas reside na adoção de um protocolo que prioriza a remoção física dos parasitas. Geralmente, o processo envolve uma combinação de técnicas que visam desidratar, aspirar e, posteriormente, remover manualmente os piolhos e lêndeas.

Um dos métodos mais comuns começa com uma avaliação detalhada do nível de infestação. Em seguida, um aspirador adaptado é utilizado para sugar os parasitas. Complementarmente, aplica-se um condicionador neutro, muitas vezes à base de óleos naturais, para facilitar o deslizamento de um pente de aço fino, que é passado mecha a mecha para a remoção manual. Algumas clínicas incorporam a termoterapia, que utiliza calor controlado para desidratar piolhos e lêndeas, tornando-os mais fáceis de serem eliminados.

A eficácia do tratamento, segundo os centros especializados, geralmente requer duas sessões, com um intervalo de cinco a sete dias entre elas, para garantir a eliminação completa de novos ovos que possam ter eclodido. A duração de cada sessão varia, mas costuma ficar entre 45 minutos e 1 hora e 30 minutos, dependendo do grau de infestação e do comprimento do cabelo.

O panorama das clínicas especializadas em São Paulo

No cenário brasileiro, São Paulo desponta como um dos principais polos para esses serviços. A reportagem identificou quatro centros especializados na capital paulista. O pioneiro, PiolhoLess, está no mercado há oito anos, fundado por Cynthia Montiel Gutiérrez, que se inspirou em modelos europeus após não encontrar soluções adequadas para seus sobrinhos.

Outras clínicas, como a Pente Fino, procurada pela família de Camila, a Tchau Tchau Piolho e a PiolhoClean, surgiram mais recentemente, há cerca de um ano e meio. A Pente Fino, idealizada por Gustavo Gusmão, Felipe Sá e Luciana Oppido, buscou criar um ambiente mais acolhedor para crianças, combinando terapia térmica, aspiração com pente acoplado e remoção manual.

Os custos desses tratamentos variam. Na PiolhoLess, o pacote completo, incluindo o retorno, custa R$ 430, com um acréscimo de R$ 210 para uma eventual terceira sessão. Já na Pente Fino, o atendimento completo com retorno incluso custa R$ 420, e sessões extras para casos graves têm o valor de R$ 150. Esses preços refletem a especialização do serviço e a dedicação de tempo e técnica para a remoção manual dos parasitas.

Custos e a perspectiva de especialistas sobre o tratamento

Apesar da conveniência e da abordagem natural oferecida pelas clínicas, especialistas ressaltam que o tratamento caseiro, quando realizado de forma correta e com a devida persistência, pode ser igualmente eficaz. O uso de pentes finos de aço, aliado a condicionadores para imobilizar os piolhos e facilitar a remoção, é uma prática recomendada por dermatologistas e pediatras.

A decisão de procurar uma clínica ou realizar o tratamento em casa muitas vezes depende da gravidade da infestação, da disponibilidade de tempo dos pais e da sensibilidade da criança a produtos químicos. Para muitos, o investimento em um serviço especializado justifica-se pela rapidez, eficácia e pelo alívio de não ter que lidar com o problema por conta própria, especialmente em casos de infestações severas ou recorrentes.

A crescente popularidade dessas clínicas demonstra uma mudança de paradigma no combate à pediculose, com uma valorização de métodos menos invasivos e mais naturais. É um reflexo da busca por soluções que aliem eficácia e bem-estar, especialmente quando a saúde das crianças está em jogo. Para mais informações sobre pediculose e métodos de prevenção, consulte fontes confiáveis como o Ministério da Saúde: Saúde de A a Z – Pediculose.

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