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Enlicitida: o novo comprimido para colesterol que dispensa injeções

Enlicitida: o novo comprimido para colesterol que dispensa injeções
Reprodução Folha

Pacientes que enfrentam o desafio de controlar os níveis de colesterol em breve terão uma nova e poderosa ferramenta à disposição. A agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou recentemente a enlicitida, uma pílula inovadora que promete revolucionar o tratamento da hipercolesterolemia, oferecendo uma redução substancialmente maior do que as estatinas, os medicamentos mais comuns para essa condição.

Desenvolvido pela farmacêutica Merck e comercializado sob a marca Lipfendra, este medicamento está previsto para chegar ao mercado americano nas próximas semanas. Sua chegada representa um marco significativo, adicionando uma opção oral potente à lista de tratamentos para diminuir a lipoproteína de baixa densidade (LDL), conhecida como colesterol “ruim”, cujo excesso eleva consideravelmente o risco de doenças cardíacas.

Avanços e limitações nos tratamentos tradicionais do colesterol

A luta contra o colesterol alto tem sido travada por décadas com diferentes abordagens farmacológicas. As estatinas, por exemplo, são a primeira linha de tratamento, inibindo a produção de colesterol no fígado. Elas são amplamente prescritas devido à sua segurança, eficácia comprovada e baixo custo, com preços que variam de US$ 5 a US$ 25 por mês nos EUA. Dependendo da dose e do tipo, as estatinas podem reduzir os níveis de LDL em 30% a 50%.

Outras opções incluem a ezetimiba, uma pílula que impede a absorção de colesterol e pode diminuir o LDL em cerca de 20%, sendo tão acessível quanto as estatinas em sua versão genérica. Há também o ácido bempedoico, que bloqueia a produção de colesterol e reduz o LDL na mesma proporção da ezetimiba, mas com um custo de tabela mais elevado, entre US$ 430 e US$ 517 por mês na versão genérica.

A chegada dos inibidores de PCSK9 e o diferencial da enlicitida

Os tratamentos mais potentes disponíveis até então são os inibidores de PCSK9, como alirocumabe, evolocumabe e inclisirana. Esses medicamentos atuam bloqueando uma proteína que impede o corpo de eliminar o colesterol de forma eficiente. Em ensaios clínicos, eles demonstraram uma capacidade impressionante de reduzir os níveis de LDL em 60% a 70%, frequentemente usados em conjunto com estatinas para um controle ainda mais rigoroso.

Contudo, uma das principais barreiras para a adesão a esses tratamentos era a necessidade de injeções, com preços de tabela que giram em torno de US$ 500 a US$ 600 por mês. Grandes estudos confirmaram que os inibidores de PCSK9 reduzem em 20% o risco de ataques cardíacos, derrames e mortes cardiovasculares em pacientes de alto risco.

É nesse cenário que a enlicitida se destaca. Ela é o primeiro inibidor de PCSK9 em forma de pílula, eliminando a necessidade das injeções. Embora as estatinas possam ser tomadas a qualquer hora, a enlicitida exige ser ingerida em jejum pela manhã, com água, café preto ou chá puro. Seu preço de tabela será de US$ 315 para um suprimento de 30 dias, um valor que ainda precisa ter sua cobertura por planos de saúde esclarecida.

Diretrizes e o perfil do paciente ideal para a nova medicação

A cardiologista preventiva Erin Michos, da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, ressalta que as estatinas permanecem a primeira escolha devido ao seu histórico de segurança e eficácia. No entanto, a enlicitida surge como uma solução vital para pacientes que não toleram estatinas ou que, mesmo com elas, não conseguem atingir os níveis de colesterol desejados, especialmente aqueles com alto risco cardiovascular.

Corey Bradley, cardiologista preventivo da Universidade Columbia, descreve os inibidores de PCSK9 como “uma excelente forma de complementar terapias orais em uma população que precisa de tratamento mais agressivo”. No início de 2026, a Associação Americana do Coração (AHA) divulgou novas diretrizes que estabelecem metas específicas de LDL, dependendo do perfil de risco do paciente. Para aqueles com maior risco, que já sofreram ataque cardíaco ou derrame, a meta é um LDL abaixo de 55 mg/dL.

Pacientes sem doença cardíaca existente, mas com alto risco (devido a fatores como diabetes tipo 2 ou pontuação de risco elevada), devem almejar um LDL abaixo de 70 mg/dL. A calculadora de risco da AHA considera idade, pressão arterial, colesterol e índice de massa corporal para avaliar riscos de curto e longo prazo. Além disso, Michos destaca que os inibidores de PCSK9 também reduzem a Lipoproteína(a) ou Lp(a), uma proteína que aumenta o risco cardíaco independentemente do colesterol e que as estatinas não afetam.

A importância do monitoramento e o futuro da prevenção

Sadiya Khan, cardiologista preventiva da Universidade Northwestern, aconselha que pacientes com risco intermediário ou alto risco em 30 anos, mesmo com baixo risco em 10 anos, considerem a medicação para colesterol. Reduzir o LDL diminui a exposição cumulativa a partículas que formam placas nas artérias, prevenindo ataques cardíacos e derrames. A pesquisa é clara: quanto menor o LDL, menor o risco de eventos cardiovasculares.

As diretrizes da AHA recomendam que todos os adultos verifiquem o colesterol pelo menos a cada cinco anos a partir dos 19 anos, e crianças devem fazer o teste uma vez entre 9 e 11 anos para rastrear colesterol alto hereditário, como a hipercolesterolemia familiar. A chegada da enlicitida representa um avanço significativo, oferecendo mais esperança e opções para milhões de pessoas em todo o mundo que buscam uma vida mais saudável e protegida contra doenças cardiovasculares.

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