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Escapada audaciosa: onze detentos fogem de presídio potiguar por túnel

Escapada audaciosa: onze detentos fogem de presídio potiguar por túnel

Uma fuga de grandes proporções abalou o sistema prisional do Rio Grande do Norte na madrugada desta sexta-feira (31), quando onze detentos conseguiram escapar da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, localizada em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal. A ação, que remete a episódios anteriores de fragilidade na segurança carcerária do estado, ocorreu após os presos removerem um vaso sanitário de uma cela e cavarem um túnel.

O incidente mobilizou as forças de segurança e reacendeu o debate sobre a situação das unidades prisionais potiguares. Inicialmente, treze indivíduos conseguiram passar pelo túnel, mas a rápida intervenção de policiais penais dentro do próprio presídio resultou na recaptura de dois deles, que foram imediatamente reconduzidos às celas. Os outros onze, no entanto, lograram êxito em pular o muro da penitenciária e ganhar as ruas. Durante a tarde, um dos fugitivos foi localizado e recapturado pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), deixando dez detentos ainda foragidos e sob intensa busca.

Detalhes da Escapada e a Busca Incansável

A engenhosidade da fuga, que envolveu a escavação de um túnel a partir de uma cela, sublinha a persistência dos desafios enfrentados pelas autoridades penitenciárias. A remoção do vaso sanitário, um ponto vulnerável frequentemente explorado em tentativas de fuga, permitiu o acesso ao subsolo e a construção da passagem subterrânea. A operação de busca pelos dez foragidos está em pleno vapor, com equipes policiais empenhadas em localizar e prender os detentos, visando restabelecer a segurança pública e a ordem no sistema prisional.

A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, embora seja uma unidade relativamente nova, já enfrenta o escrutínio público e das autoridades. A fuga levanta questionamentos sobre a infraestrutura, os procedimentos de segurança e a vigilância interna, elementos cruciais para a contenção de detentos de alta periculosidade. A comunidade local e regional acompanha com apreensão os desdobramentos, ciente dos riscos que a presença de foragidos pode representar para a tranquilidade das cidades.

Reação do Governo e a Memória de Crises Passadas

A governadora Fátima Bezerra (PT) manifestou sua indignação com o ocorrido, acompanhando o caso desde as primeiras horas da manhã e exigindo uma investigação célere e rigorosa. Em suas declarações, a chefe do executivo estadual enfatizou a necessidade de recapturar todos os presos e apurar as responsabilidades.

“É inadmissível o que aconteceu hoje. Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça”, afirmou a governadora. Ela também expressou sua determinação em não permitir que o Rio Grande do Norte reviva o cenário de grave crise no sistema penitenciário que marcou o passado recente do estado, uma referência clara aos turbulentos anos de rebeliões e fugas em massa que assolaram as unidades prisionais potiguares.

A Perspectiva dos Policiais Penais e as Falhas Estruturais

A presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, trouxe à tona a visão da categoria, atribuindo a fuga à falta de investimentos em segurança e à ausência de uma gestão técnica que priorize os procedimentos operacionais nas unidades prisionais. Segundo Batista, a situação gera grande frustração entre os policiais penais, que se sentem sobrecarregados pela responsabilidade que recai sobre a linha de frente.

O sindicato alega ter alertado a secretaria sobre as dificuldades enfrentadas pelos profissionais. “O atual cenário é consequência direta de decisões da gestão, que flexibilizou procedimentos e deixou de priorizar a segurança. Hoje, os policiais penais sequer conseguem realizar atividades ordinárias, como vistorias internas e estruturais, porque são direcionados para outras demandas que não contribuem para a segurança das unidades”, criticou Vilma Batista, apontando para um desvio de foco que comprometeria a integridade das prisões.

O Histórico Conturbado do Sistema Prisional Potiguar

A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga é historicamente ligada ao complexo de Alcaçuz, sendo conhecida como Pavilhão 5. Essa proximidade evoca a memória da trágica rebelião de janeiro de 2017 em Alcaçuz, que resultou na morte de 26 presos em um violento conflito entre facções criminosas, principalmente o Sindicato do Crime do RN e o PCC (Primeiro Comando da Capital), que disputavam o controle dos presídios.

Além disso, o Rio Grande do Norte já foi palco da maior fuga de sua história em maio de 2017, quando 91 detentos escaparam por um túnel cavado na Penitenciária Estadual de Parnamirim, também na região metropolitana de Natal. Esses antecedentes históricos adicionam uma camada de urgência e preocupação à atual fuga, reforçando a percepção de que o sistema prisional do estado ainda lida com desafios estruturais e de gestão que precisam ser endereçados com prioridade para evitar a repetição de crises e garantir a segurança da população. Para mais informações sobre o sistema penitenciário brasileiro, clique aqui.

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